STF derruba lei de SC que acabava com cotas raciais

Plenário do Superior Tribunal Federal do Brasil.

O STF derrubou por unanimidade uma lei de Santa Catarina que proibia cotas raciais em universidades públicas do estado. A decisão vale a partir de agora.


O que aconteceu

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou na sexta-feira (17/04) o julgamento da ADI 7741 e declarou inconstitucional a Lei Estadual nº 19.123/2026, de Santa Catarina.

A lei proibia que universidades financiadas pelo estado reservassem vagas por critérios étnico-raciais e previa multas de até R$ 100 mil para instituições que mantivessem políticas de diversidade racial.

A votação foi 10 a 0. Nenhum ministro defendeu a norma.


Por que isso importa

O ministro Gilmar Mendes, relator do caso, afirmou que as cotas são ferramentas essenciais para garantir igualdade real entre os cidadãos. Os demais ministros acompanharam e apontaram dois problemas centrais na lei:

  • Vício de competência: estados não podem legislar sobre políticas de cotas, matéria reservada à União
  • Retrocesso social: a norma contrariava direitos já consolidados pelo Supremo

Vale lembrar: as cotas raciais no Brasil foram consideradas constitucionais pelo próprio STF em 2012, em decisão unânime. A lei catarinense ia diretamente de encontro a esse entendimento.


Quem é afetado

Estudantes negros e indígenas de Santa Catarina são os mais diretamente impactados. Com a decisão, os sistemas de reserva de vagas nas universidades estaduais voltam a funcionar normalmente.

Instituições de ensino que tinham suspendido critérios de diversidade racial por receio das multas também voltam a operar sem restrições.


O debate sobre as cotas ainda divide opiniões

A decisão do STF encerra a questão jurídica, mas não o debate político e social sobre o tema.

O governador Jorginho Mello defendia que a lei não extinguia as cotas, mas as reformulava com foco no critério econômico. “A lei não extinguia cotas, melhorava: focava nos mais pobres. Infelizmente o nosso país não aceita sequer discutir o tema”, declarou após a derrota.

Esse argumento não é exclusivo da direita. O Movimento Negro Socialista também questiona o modelo atual e defende políticas universalistas, sem distinção de raça, por entender que as cotas raciais podem acirrar divisões em vez de reduzi-las.

O Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro vai além e pede a extinção das cotas raciais, argumentando que o sistema deixa de fora pardos e mestiços, que formam uma parcela expressiva da população.

Entre os argumentos mais comuns dos críticos estão:

  • As cotas ferem o princípio da meritocracia
  • O problema central é a má qualidade da educação básica, não o acesso ao ensino superior
  • As vagas reservadas tendem a beneficiar os mais abastados dentro do grupo contemplado, não os mais pobres

Defensores respondem que as cotas corrigem uma desigualdade estrutural que o mercado e a escola básica ainda não resolveram, e que os dados mostram avanço real na inclusão de negros e indígenas nas universidades.


O que muda agora

  • A decisão tem efeito imediato e vinculante, o que significa que:
  • As cotas raciais voltam a valer em Santa Catarina
  • Nenhuma instituição pode ser multada por adotar critérios de diversidade racial
  • O estado não pode tentar aplicar a lei novamente

Santa Catarina pode criar uma nova lei sobre o assunto?

Não. O STF entendeu que estados não têm competência para legislar sobre esse tema. Qualquer tentativa semelhante pode ser derrubada da mesma forma.


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