Projeto de lei quer limite de 180 dias para iniciar tratamento de autismo

Criança com autismo em sessão de terapia com profissional de saúde

Uma proposta em tramitação na Câmara quer obrigar o SUS e os planos privados a iniciarem o tratamento de autismo em até 180 dias após o diagnóstico. Hoje, a lei garante o direito ao atendimento, mas não diz quando ele precisa começar.


A lei existe, mas a fila não tem prazo

A Lei nº 12.764/2012 já assegura o direito ao tratamento para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O problema é que ela não define um prazo para o início. Na prática, isso significa espera indefinida.

O PL 1589/2024, da deputada Clarissa Tércio (PP-PE), tenta fechar essa brecha. O projeto original previa 60 dias, mas o relator, deputado Osmar Terra (PL-RS), alterou para 180 dias durante a análise na Comissão de Saúde, em março de 2026. O prazo começa a contar a partir do laudo de diagnóstico. Se houver necessidade urgente registrada em prontuário, o atendimento pode começar antes.

A proposta já foi aprovada pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e pela Comissão de Saúde. Agora segue para a Comissão de Finanças e depois para a CCJ antes de ir ao Senado.


O cenário que explica a urgência

Os dados mostram um desafio grande. O Brasil tem 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de TEA, segundo o Censo 2022 do IBGE, cujos dados sobre autismo foram divulgados pela primeira vez em maio de 2025 e quase 70% dos diagnósticos ocorreram entre 2020 e 2024.

Apesar de mais da metade dos diagnósticos acontecer antes dos 5 anos, a média geral de idade no momento do diagnóstico ainda é de 11 anos. Em 56% dos casos, quem percebe os primeiros sinais são os próprios familiares, não profissionais de saúde.

O acesso ao tratamento também é desigual. Apenas 15,5% dos autistas conseguem fazer terapia pelo SUS. Mais da metade recebe até 2 horas semanais de atendimento, bem abaixo do recomendado por diretrizes internacionais.


O prazo vai ser cumprido?

Essa é a dúvida central. Pais e responsáveis relatam demoras que comprometem o desenvolvimento das crianças. Mas o Estado já demonstra dificuldade em garantir os serviços que a lei atual prevê.

O projeto reconhece isso indiretamente: um dos objetivos declarados é justamente reduzir a judicialização, que hoje é o principal caminho de quem não consegue atendimento pelo sistema público.

A Comissão de Finanças ainda vai avaliar se há orçamento para sustentar o prazo de 180 dias no SUS. Essa etapa será decisiva para o futuro do projeto.


📷 Imagem gerada por IA para fins de ilustração

Fontes:

  • PL 1589/2024, Câmara dos Deputados
  • Lei nº 12.764/2012
  • Mapa Autismo Brasil
  • Censo IBGE 2022
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