Prefeito tiktoker volta ao cargo após 145 dias e já enfrenta novo escândalo

Prefeito de Sorocaba Rodrigo Manga gravando vídeo para TikTok em obra pública após retorno ao cargo

Rodrigo Manga, apelidado pela imprensa de “prefeito tiktoker”, voltou à Prefeitura de Sorocaba após 145 dias fora do cargo por investigação criminal. O STF garantiu seu retorno. Mesmo assim, o prefeito já enfrenta nova polêmica: suspeita de que uma vala foi aberta com dinheiro público só para gravar vídeo nas redes.


Quem é Rodrigo Manga

Rodrigo Manga (Republicanos) é prefeito de Sorocaba, cidade de cerca de 700 mil habitantes no interior de São Paulo. Ele ficou conhecido no Brasil inteiro pelo estilo informal e pelos vídeos virais no TikTok e no Instagram. Por isso, a imprensa o apelidou de “prefeito tiktoker”.

Por que ele foi afastado

Tudo começa na Operação Copia e Cola, da Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de desvio de verbas, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitações na saúde de Sorocaba. No centro do caso estão contratos com a Organização Social Aceni, que administrava unidades como a UPA do Éden e a UPA da Zona Oeste. Todos os investigados negam as acusações.

Em 6 de novembro de 2025, o TRF-3 determinou o afastamento imediato de Manga por 180 dias. O entendimento foi de que ele no cargo representava risco às investigações. Por isso, o vice-prefeito Fernando Martins (PSD) assumiu a prefeitura.

O que a PF apreendeu

As apreensões chamaram atenção. Segundo a Polícia Federal, a operação recolheu:

  • Mais de R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo, parte localizado em endereços de alvos da investigação
  • Carros de luxo, incluindo Porsche e BMW, na residência de Marco Silva Mott, empresário apontado pela PF como operador financeiro do esquema
  • 11 pistolas, armas de cano longo e munições, em endereços de investigados
  • O carro e o celular do próprio prefeito

Além disso, a denúncia do MPF aponta a compra de um imóvel de luxo com dinheiro vivo por um aliado de Manga. Segundo as apurações, esse aliado teria informado logo depois que o imóvel seria do prefeito. A defesa contesta essa versão.

Quem foi denunciado

Em fevereiro de 2026, o Ministério Público Federal denunciou os investigados. Entre os réus estão:

  • Sirlange Frate Maganhato, esposa e primeira-dama
  • Zoraide Batista Maganhato, mãe do prefeito
  • Josivaldo Batista de Souza, cunhado e bispo evangélico, que chegou a ser preso e usa tornozeleira
  • Simone Frate de Souza, cunhada, também com tornozeleira
  • Vinícius Rodrigues, ex-secretário de Saúde
  • Fausto Bossolo, ex-secretário de Administração
  • Marco Silva Mott, apontado como operador financeiro

Todos negam as acusações. As defesas afirmam que as investigações têm motivação política.

Como ele conseguiu voltar

A defesa tentou reverter o afastamento várias vezes. Em dezembro de 2025, o STJ negou o pedido. No entanto, em 30 de março de 2026, o ministro Kassio Nunes Marques concedeu uma liminar no STF suspendendo o afastamento. Assim, Manga voltou ao cargo no dia 1º de abril.

Em 8 de maio de 2026, o STF formou maioria para confirmar a decisão. Nunes Marques, Dias Toffoli e André Mendonça votaram pela permanência do prefeito. Os ministros entenderam que manter Manga fora do cargo seria uma interferência desproporcional na administração municipal e que não havia risco concreto às investigações.

O julgamento seguia aberto até 11 de maio, aguardando os votos de Gilmar Mendes e Luiz Fux.

O suposto buraco cenográfico

Logo após voltar, Manga retomou os vídeos. Em 9 de abril, publicou uma gravação que virou polêmica. Nas imagens, ele aparece ao lado de uma vala aberta por funcionários do Saae e fala sobre obras de saneamento na cidade. O vídeo passou de 6 milhões de visualizações.

Porém, servidores do próprio Saae denunciaram que a vala não teria necessidade técnica. Segundo eles, foi aberta apenas para servir de cenário. Um relatório técnico produzido por esses servidores apontou custo mínimo de R$ 19,7 mil aos cofres públicos. Foram mobilizados 15 servidores, 7 veículos e 2 empresas terceirizadas.

Além disso, o documento aponta registros considerados irregulares pelos seus autores e ordens de serviço supostamente irregulares. As fotos de “antes e depois” anexadas à justificativa eram idênticas, o que indicaria que a tampa de inspeção não havia sido movimentada.

O caso chegou ao Ministério Público de SP, que recebeu duas representações e analisa se há elementos para abrir investigação formal. Por sua vez, a Prefeitura de Sorocaba afirmou que a intervenção seguiu todos os procedimentos técnicos e administrativos regulares.

E as eleições de 2026

Em 2025, Manga publicou um vídeo nas redes dizendo que seria pré-candidato à Presidência da República. No entanto, foi uma manifestação pública, sem candidatura formal. Portanto, em 3 de abril de 2026, logo após retornar ao cargo, ele anunciou que desistiu de disputar qualquer eleição em 2026. Manga disse que vai cumprir seu mandato em Sorocaba até 2028.

Fontes:

  • STF — Habeas Corpus, 2ª Turma, relator ministro Kassio Nunes Marques, julgamento maio de 2026: stf.jus.br
  • Ministério Público Federal — Denúncia criminal, fevereiro de 2026
  • Polícia Federal — Operação Copia e Cola, fases 1 e 2, 2022-2025
  • Saae Sorocaba — Relatório técnico interno sobre intervenção na Rua Diadema, abril de 2026
  • TRF-3 — Decisão de afastamento, 6 de novembro de 2025
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