Treinar demais sem descanso adequado pode ser tão prejudicial quanto a inatividade. A síndrome do overtraining — ou sobretreinamento — ocorre quando o volume ou a intensidade dos exercícios supera a capacidade de recuperação do organismo, gerando efeitos negativos físicos, hormonais e emocionais, inclusive em praticantes não profissionais.
Pesquisa da Unicamp identifica proteína responsável pelo quadro
Um grupo liderado por pesquisadores da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp (FCA-Unicamp), em Limeira, mostrou que camundongos submetidos a treinamento excessivo apresentaram perda de performance, fadiga crônica e sintomas comportamentais, ao mesmo tempo em que expressaram de forma excessiva a proteína PARP1 na musculatura esquelética. O estudo foi publicado na revista científica Molecular Metabolism.
Animais submetidos ao protocolo de overtraining registraram redução de 19% no tamanho das fibras musculares em comparação com os que realizaram treinamento regular. O estudo também incluiu voluntários humanos na Escola Sueca de Esporte e Ciências da Saúde, em Estocolmo, submetidos a três semanas de treino intervalado de alta intensidade (HIIT) com redução progressiva do tempo de recuperação.
Impacto hormonal e imunológico
O excesso de treinamento também altera o funcionamento do sistema endócrino. Especialistas indicam que o sobretreinamento pode desregular o cortisol, comprometer a imunidade e, em atletas de endurance, provocar queda de testosterona. Dietas restritivas ou jejuns prolongados agravam o risco de síndrome da deficiência energética relativa no esporte (RED-S).
Quais são os principais sinais de alerta?
- Queda no rendimento esportivo sem causa aparente
- Alterações no humor, no sono ou na concentração
- Ausência ou irregularidade menstrual em mulheres
- Dor muscular persistente e lesões recorrentes
- Imunidade comprometida e infecções frequentes
Como diagnosticar e tratar o overtraining?
Não existe exame único para confirmar o diagnóstico. A avaliação parte do histórico de treinos, alimentação, descanso e sintomas clínicos, podendo ser complementada por exames hormonais ou metabólicos.
Não há tratamento específico para a síndrome além da suspensão parcial ou total do treinamento por semanas ou até meses. Alimentação equilibrada e acompanhamento de profissionais de saúde e educação física são fundamentais na recuperação.
Como prevenir
- Respeitar os dias de descanso e recuperação no planejamento de treino
- Manter alimentação adequada com carboidratos, proteínas e gorduras boas
- Garantir qualidade e quantidade de sono
- Monitorar sinais físicos e emocionais de fadiga acumulada
Fontes: Agência FAPESP; Molecular Metabolism (FCA-Unicamp/Escola Sueca de Esporte e Ciências da Saúde, maio/2025); Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.










