Remédio aprovado pela Anvisa promete desacelerar Alzheimer

Frasco do medicamento Leqembi com seringa de infusão intravenosa em ambiente hospitalar

No fim de junho, chega às farmácias o primeiro medicamento aprovado no Brasil que não se limita a aliviar sintomas do Alzheimer, mas propõe modificar a progressão da doença. O Leqembi traz nova perspectiva para pacientes em estágio inicial, mas com custo elevado e dúvidas reais sobre quem conseguirá acessá-lo.


O que é o Leqembi

O lecanemabe, comercializado como Leqembi, é um anticorpo monoclonal pertencente à classe dos produtos biológicos. Em linguagem prática: é um medicamento de nova geração que age diretamente sobre as placas beta-amiloides no cérebro, e não apenas nos sintomas.

O acúmulo dessas placas beta-amiloides está associado à progressão do Alzheimer. A proposta não é curar, mas frear o avanço da condição antes da progressão mais avançada da doença.


Como funciona o tratamento

O medicamento é administrado por infusão intravenosa, durante aproximadamente uma hora, uma vez a cada duas semanas.

O tratamento exige monitoramento contínuo com exames de ressonância magnética. Entre os principais fatores de risco avaliados pelos médicos estão histórico de hemorragia intracerebral, presença de micro-hemorragias e uso concomitante de anticoagulantes.


Foi aprovada pela ANVISA?

O Leqembi recebeu aprovação da Anvisa em 22 de dezembro de 2025. O preço foi definido em 17 de abril de 2026 pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável por estabelecer os valores máximos de venda de medicamentos no Brasil.

A eficácia foi comprovada no estudo clínico de fase 3 CLARITY-AD, com 1.795 participantes. A pesquisa, publicada no The New England Journal of Medicine, mostrou que o tratamento reduziu em 27% a velocidade do declínio cognitivo ao longo de 18 meses.


O que dizem os especialistas

A chegada do lecanemabe marca uma mudança relevante no tratamento do Alzheimer no Brasil, com a entrada das terapias antiamiloides no país.

A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) reconhece o avanço, mas alerta que ele vem acompanhado de desafios clínicos, éticos e estruturais. Para a entidade, o sucesso dessa nova fase dependerá menos da velocidade de incorporação e mais da maturidade com que essas terapias serão utilizadas.


Quem pode usar

O medicamento é indicado para pacientes adultos com comprometimento cognitivo leve ou demência leve decorrente do Alzheimer, com presença de placas beta-amiloides confirmada por exame.

Não basta ter Alzheimer: é preciso estar no estágio inicial e realizar exames específicos antes de começar o tratamento. Pacientes portadores da variante genética APOE ε4 podem apresentar maior risco de efeitos colaterais cerebrais, como edema e micro-hemorragias. Por isso, o teste genético é recomendado para avaliação clínica antes do início do tratamento.


Quanto vai custar e quem consegue pagar

O custo mensal deve variar entre R$ 8.108,94 e R$ 11.075,62, conforme a carga tributária de cada estado. O custo por infusão pode girar em torno de R$ 5.500, variando conforme o peso do paciente.

O lecanemabe ainda não faz parte da RENAME, a lista de medicamentos padronizados do SUS. Especialistas avaliam que a incorporação tende a enfrentar barreiras significativas devido ao alto custo, com baixa expectativa de incorporação ao SUS no curto prazo. Para quem não dispõe de plano de saúde ou capital próprio, o alto custo pode ampliar a judicialização como caminho de acesso ao medicamento.


Fontes:

  • Anvisa — Registro do Leqembi (lecanemabe), 22/12/2025: gov.br/anvisa
  • Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) — Resolução de preço, 17/04/2026
  • Barbosa BJAP et al. Dementia & Neuropsychologia, 2024;18:e2024C002
  • Estudo CLARITY-AD — The New England Journal of Medicine (fase 3, 1.795 participantes)

📷 Imagem gerada por IA para fins de ilustração

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