Lula reduz viagens e foca no Brasil em ano eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acumula 16 dias fora do Brasil em 2026, distribuídos em quatro viagens internacionais. Mas o ritmo é propositalmente menor do que nos anos anteriores: com as eleições presidenciais em outubro, o Palácio do Planalto decidiu concentrar a agenda externa no primeiro semestre e reservar o segundo para o Brasil.

O que o governo fez lá fora

Em 2025, Lula visitou 16 países. Para 2026, o calendário externo foi enxugado. As viagens confirmadas foram ao Panamá, à Índia, à Coreia do Sul e à Alemanha, todas com foco em atração de investimentos e ampliação de mercados para exportações brasileiras.

Só em janeiro, Lula conversou com 13 líderes globais, incluindo Donald Trump, Xi Jinping e Vladimir Putin. Os temas foram variados: relações comerciais, a guerra em Gaza, a situação na Venezuela e cooperação econômica bilateral.

O próprio presidente anunciou publicamente o recuo na agenda externa. “Aí é só no Brasil. Aí quem quiser saber como é que se ganha uma eleição pode me acompanhar”, disse Lula em coletiva de imprensa.

O que muda é o cenário aqui dentro

Enquanto a agenda externa é reduzida, os desafios econômicos internos ganham peso. O quadro é de estabilidade relativa com tensões reais.

O Banco Central projeta crescimento de 1,6% do PIB em 2026, com inflação estimada em 3,6% — ainda acima do centro da meta de 3%. A Selic foi reduzida recentemente para 14,75% ao ano, após sete altas consecutivas, mas permanece em patamar historicamente elevado.

No mercado de trabalho, o sinal é positivo: o Brasil atingiu o menor índice de desemprego em décadas, com a taxa em 5,2% em novembro de 2025. Por outro lado, juros altos encarecem o crédito e freiam o investimento privado.

A dívida bruta do governo ultrapassou 91,4% do PIB em 2025, acima da média dos países em desenvolvimento, o que levou organismos internacionais a reforçar alertas sobre os desafios fiscais do Brasil.

Quem critica e quem defende

A oposição questiona os custos das viagens e a ausência do presidente em momentos relevantes no país. O debate sobre a política externa também ganhou contornos eleitorais, com pré-candidatos fazendo seus próprios tours internacionais para construir imagem de liderança global.

O governo, por sua vez, defende que a diplomacia tem retorno econômico concreto. A estratégia de diversificar parceiros internacionais, especialmente na Ásia, é avaliada internamente como um fator que ajudou a minimizar os impactos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.

A partir de maio, com a aproximação do período eleitoral, Lula deve concentrar sua agenda exclusivamente no território brasileiro. A disputa pela reeleição começa a pautar as prioridades do Palácio do Planalto.


Fontes:

  • Banco Central do Brasil — Relatório de Política Monetária (março de 2026): bcb.gov.br
  • IBGE — Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD): ibge.gov.br
  • ONU — Relatório de Perspectivas Econômicas Mundiais (janeiro de 2026): un.org
  • Palácio do Planalto — Agenda oficial do presidente: gov.br/planalto
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