O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) intensificaram a parceria em 2026 com projetos que vão da revitalização do centro histórico à habitação e mobilidade urbana. A sintonia entre as gestões vai além das obras e tem peso direto no cenário político do ano eleitoral.
O que é essa parceria
A aliança entre Prefeitura e Governo do Estado opera em múltiplas frentes, com projetos compartilhados, financiamento cruzado e atuação conjunta nas áreas mais sensíveis da capital. Nunes definiu o modelo em uma frase: “Nós temos hoje um único time.”
O movimento mais recente foi o lançamento do Boulevard São João, em 23 de abril de 2026, na sede da Associação Comercial de São Paulo, com os dois presentes.
Como funciona o Boulevard São João
O projeto abrange cerca de 42 mil m² na Avenida São João, entre o Largo do Paissandu e a Praça Júlio Mesquita, reunindo requalificação urbana, cultura e tecnologia, além de mais de 2.000 m² de painéis digitais de LED que vão exibir conteúdos culturais e transmissões ao vivo.
O investimento inicial de R$ 6 milhões vem da iniciativa privada. O projeto prevê 70% do tempo dos painéis para conteúdo cultural e 30% para publicidade, viabilizando o interesse privado dentro da Lei Cidade Limpa. A expectativa é que os telões já funcionem durante a Copa do Mundo.
Exemplo da aplicação em 2026: o VLE e a troca de recursos
A parceria também tem lógica financeira. Em 23 de abril de 2026, Nunes pediu publicamente apoio do Estado para implantar o Veículo Leve Elétrico (VLE), o “bonde digital” do centro, com custo estimado de R$ 2,1 bilhões.
Tarcísio confirmou a troca de recursos: “A gente ajuda no VLE, mas ele ajuda a gente na Linha 5 e na Linha 17. A gente vai trocando fontes, colocando recursos da Prefeitura, da operação urbana na mobilidade do Estado.” É cooperação com custo e benefício bem definidos para cada lado.
Quem é afetado por essas mudanças
Moradores e trabalhadores do centro de São Paulo são os mais diretamente impactados. Entre 2022 e 2025, os roubos nos distritos da Santa Cecília e Campos Elíseos caíram 63%, de 9,1 mil para 3,3 mil ocorrências. Os furtos recuaram 27% no mesmo período.
Na habitação, o raio de impacto é metropolitano. Em fevereiro de 2026, Tarcísio anunciou um plano de R$ 4,3 bilhões para construir 23 mil moradias em áreas próximas a estações ferroviárias na Grande São Paulo e na região de Campinas, dentro do programa Novas Centralidades.
Quando se aplica esse modelo
O orçamento estadual de 2026, de R$ 382,3 bilhões, prevê continuidade das obras das Linhas 6-Laranja, 17-Ouro, 2-Verde, 4-Amarela, 5-Lilás e 15-Prata do Metrô, além da conclusão do Rodoanel Norte e do Trem Intercidades São Paulo-Campinas. A maior parte desses projetos depende de integração com a Prefeitura para funcionar dentro da capital.
O peso político da parceria
A cooperação técnica tem contexto político claro. Nunes confirmou que não vai disputar o governo estadual em 2026 e reiterou apoio à reeleição de Tarcísio. Do outro lado, Tarcísio é apontado como o nome mais forte da direita para a disputa presidencial, e manter São Paulo alinhada é parte do seu projeto.
Os dois administram a maior cidade e o maior estado do país. Quando trabalham juntos, o alcance das decisões é imenso. Quando divergem, as consequências também.
Fontes:
- Prefeitura de São Paulo (prefeitura.sp.gov.br)
- Agência SP (agenciasp.sp.gov.br)
- Lei Estadual nº 18.387/2026 (Lei Orçamentária Anual do Estado de São Paulo)
- Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo









