O Partido dos Trabalhadores lançou um curso para treinar militantes a atuar de forma estratégica nas redes sociais em defesa do governo Lula. A iniciativa faz parte do projeto Pode Espalhar e acontece em pleno ano eleitoral.
O que é o Pode Espalhar
O Pode Espalhar se define como uma articulação política de comunicação, organização e mobilização em defesa do governo Lula e da democracia. O projeto foi criado em maio de 2025.
A rede é organizada por meio de grupos de WhatsApp e atua em momentos críticos para pressionar nas redes sociais em favor das pautas do partido. Desde o início, a proposta é tratar o militante digital como um agente político ativo, não um simples compartilhador de conteúdo.
Como funciona o curso
O Curso de Formação da Militância é dividido em três módulos. O primeiro, chamado “Porta-voz do Lula”, começa nos dias 29 de abril e 6 de maio, com foco em como atuar na disputa de narrativas e no uso estratégico do WhatsApp. O segundo módulo, “Construção de Redes e Influência Digital”, vai de 13 de maio a 3 de junho e aborda ampliação de alcance, engajamento e uso das principais plataformas. O terceiro trata da produção de conteúdo com inteligência artificial, voltado para edição de vídeos, peças visuais e escrita estratégica.
Quem pode participar
As inscrições são feitas online e as atividades ocorrem entre abril e maio. O curso é voltado a filiados e simpatizantes do PT. Após a inscrição, os participantes são contatados por uma equipe para alinhar as próximas etapas.
Quando se aplica essa estratégia
O contexto é direto: 2026 é ano de eleições gerais, e o PT quer chegar preparado para a disputa digital. O projeto quer formar “porta-vozes” de Lula no ambiente digital e incentiva militantes a dedicar alguns minutos por dia para compartilhar conteúdos alinhados ao partido.
O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, foi claro sobre o objetivo: qualificar a militância para a disputa digital e o enfrentamento da desinformação nas plataformas.
O manual que veio antes
O curso não surgiu do nada. Em dezembro de 2025, o Pode Espalhar já havia lançado um Manual Jurídico de Apoio a Influenciadores e Ativistas Digitais, com orientações práticas sobre o que pode e o que não pode nas redes. O documento orienta a militância a substituir termos como “corrupto” e “genocida” por frases de opinião política, consideradas juridicamente mais seguras, como “na minha visão, essa conduta é corrupta”.
O curso de formação amplia essa lógica: sai da proteção jurídica e entra na construção ativa de narrativa.
Isso é comum na política brasileira?
Partidos de diferentes espectros investem em comunicação digital organizada, especialmente em anos eleitorais. O que chama atenção no caso do PT é a escala e a formalização: o chamamento de porta-vozes tem sido feito pelo presidente do PT, Edinho Silva, nas redes sociais e em encontros estaduais. É uma estrutura pensada para funcionar de forma contínua, não apenas em períodos de campanha.
Fontes:
- Partido dos Trabalhadores (pt.org.br)
- Pode Espalhar (podeespalhar.com.br)
- Manual Jurídico de Apoio a Influenciadores e Ativistas Digitais, Pode Espalhar, 2025
- Resolução do TSE nº 23.608/2019









