Lula sobe imposto e comida pode ficar mais cara

produtor rural aplicando fertilizante na lavoura

Nova lei federal aumenta a carga tributária sobre insumos do campo a partir de abril de 2026. O custo pode chegar até o consumidor no supermercado.

O que aconteceu

A Lei Complementar nº 224/2025, publicada pelo governo federal no fim de 2025, determina a redução de benefícios fiscais federais e pode aumentar custos em várias cadeias do agronegócio a partir de 2026.

Na prática, fertilizantes, defensivos e outros insumos que tinham alíquota zero de PIS e Cofins passarão, a partir de abril de 2026, a recolher 10% da alíquota cheia desses tributos.

Outras mudanças incluem:

  • Corte de 10% nos créditos tributários para indústrias do setor
  • Aumento do Funrural (contribuição previdenciária rural)
  • ICMS fixado em 4% para operações interestaduais

Por que isso importa

Porque o custo da lavoura costuma chegar até quem vai ao supermercado.

Especialistas alertam que a vedação ao aproveitamento de créditos pode gerar um efeito cascata que pressiona o preço final dos alimentos. Isso vale especialmente para itens da cesta básica: embora os produtos finais como arroz e feijão estejam protegidos pela reforma tributária, os insumos que os produzem, como adubos e fertilizantes, foram efetivamente onerados.

Os alimentos que devem sentir mais:

  • Grãos (soja e milho): usam muito fertilizante
  • Carnes: dependem de ração mais cara
  • Hortifrúti: sofrem com frete e logística

Quem ganha e quem perde

A redução dos benefícios fiscais favorece o aumento da arrecadação do Governo Federal, mas gera prejuízos diretos aos produtores rurais, que passam a pagar mais para plantar, e aos consumidores, atingindo especialmente os de baixa renda, cujas famílias gastam mais de 50% da renda com alimentação, enquanto as mais ricas gastam cerca de 13%.

E o governo está fazendo alguma coisa para compensar?

Sim, mas há um descompasso. A legislação prevê que, a partir de 2027, PIS e Cofins serão substituídos pela nova Contribuição sobre Bens e Serviços, com alíquota zero para itens da cesta básica e redução de 60% para produtos agropecuários em geral. O problema é que o custo no campo sobe agora — e o alívio prometido ainda está no futuro.

O que pode acontecer agora

Até lá, o setor deverá atravessar um período de adaptação e incertezas ao longo de 2026, com reflexos potenciais sobre custos e preços ao consumidor.

A tendência é de alta gradual. A inflação prevista para 2026 já está em 4,71%, com alimentos puxando essa pressão. Parte do setor jurídico avalia que a tributação de insumos agrícolas contraria a Constituição e deve gerar disputas judiciais.

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