O Centrão e a direita fecharam um bloco no Congresso que tem derrubado o governo Lula em sequência. Em dois dias, o Senado rejeitou uma indicação ao STF pela primeira vez em 132 anos e o Congresso derrubou um veto presidencial com margem folgada. O sinal é claro: o Planalto perdeu o fio da meada.
O que aconteceu em 48 horas
Na quarta-feira, 29 de abril de 2026, o Plenário do Senado rejeitou a indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias para ministro do STF por 42 votos contrários a 34 favoráveis. Uma rejeição dessa natureza não ocorria desde a Primeira República, quando o Senado barrou indicações ao Supremo ainda no fim do século XIX.
No dia seguinte, 30 de abril, o Congresso Nacional derrubou o veto de Lula ao PL da Dosimetria (PL nº 2.162/2023). Na Câmara, 318 parlamentares votaram pela derrubada contra 144 favoráveis à manutenção. No Senado, foram 49 a 24. A nova regra altera o cálculo de penas para crimes cometidos no mesmo contexto, aplicando apenas a pena mais grave, o que pode beneficiar condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Quem é o Centrão e por que ele importa agora
O Centrão é um bloco informal de partidos sem ideologia rígida, especializado em negociar com qualquer governo. O problema para Lula é que ele deixou de negociar e passou a atuar.
O movimento mais concreto foi a formação da federação União Progressista (UPB). União Brasil e Progressistas formalizaram a parceria, criando o maior bloco partidário da Câmara, com 109 parlamentares, e o segundo maior no Senado, com 15 senadores. A federação já nasce declaradamente distante do governo e de olho nas eleições de 2026.
Em setembro de 2025, os dois partidos anunciaram a saída da base do governo e pediram que seus filiados com cargos no Executivo entregassem os postos imediatamente.
O que muda na prática
A saída da União Progressista não é só numérica. O grupo passou a fortalecer sua capacidade de negociação com diferentes lados, em vez de se apresentar como base fiel de qualquer governo, aumentando seu poder de barganha.
Isso cria um ambiente onde o Planalto precisa conquistar votos caso a caso, sem poder contar com blocos garantidos. Qualquer matéria polêmica vira uma batalha.
O que as pesquisas mostram
O Congresso não age no vácuo. Ele lê as pesquisas. Levantamento Quaest de abril de 2026, registrado no TSE sob o número BR-09285/2026, aponta desaprovação ao governo em 52% e aprovação em 43%.
No cenário eleitoral, pesquisa BTG/Nexus registra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, com 46% a 45% em eventual segundo turno. Parlamentares que dependem de eleição em outubro enxergam risco em aparecer colados ao Planalto.
Quem é afetado
Para o cidadão comum, o efeito mais imediato é a instabilidade legislativa. Projetos econômicos, sociais e de infraestrutura dependem de uma base funcional. Sem ela, o governo governa no limite, aprovando o que consegue negociar na hora, sem agenda estruturada.
O STF também fica diretamente impactado: com a rejeição de Messias, a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso permanece sem definição.
Fontes:
- Senado Federal (MSF 7/2026) — senado.leg.br
- TV Senado — votação do veto ao PL nº 2.162/2023
- Câmara dos Deputados — Portal da Câmara
- TSE — Registro da Federação União Progressista (março/2026)
- Pesquisa Genial/Quaest, BR-09285/2026, abril/2026
- Pesquisa BTG/Nexus, BR-01075/2026, abril/2026









