Brasil registra número histórico de defensivos agrícolas em 2025
O Brasil encerrou 2025 com 912 novos registros de defensivos agrícolas — crescimento de 37% em relação a 2024, quando o país já havia atingido a então marca histórica de 663 autorizações, segundo balanço do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Entre os registros, 139 foram de bioinsumos e 560 de defensivos químicos, conforme dados do CropData, portal da CropLife Brasil. Cerca de 95% dos agroquímicos aprovados referem-se a produtos genéricos, com moléculas já validadas no mercado. A estratégia visa ampliar a concorrência entre fabricantes e reduzir custos para produtores de soja, milho e algodão.
Qual é o papel da bancada ruralista nesse processo?
A força política por trás dos recordes de registro tem nome e endereço: a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Com 306 deputados e 50 senadores, a FPA é uma das frentes mais influentes do Congresso Nacional.

O deputado Pedro Lupion (PP-PR) foi reeleito presidente da FPA para o mandato 2025-2027, em eleição unânime que marcou a primeira reeleição na história da bancada. Sob sua liderança, a frente atua diretamente em comissões de Agricultura e Meio Ambiente, articulando votações e formulando projetos voltados à simplificação do processo de registro de defensivos.
Avanços legislativos recentes da FPA
- Aprovação do novo marco legal para defensivos agrícolas
- Lei do marco temporal para demarcação de terras indígenas
- Isenção de impostos para alimentos da cesta básica na reforma tributária
Glifosato e os riscos à saúde pública
No centro da controvérsia está o glifosato, herbicida mais utilizado na agricultura brasileira, aplicado amplamente em soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica o glifosato como “provável carcinógeno para humanos” (Grupo 2A).
A classificação, porém, é objeto de debate. Agências regulatórias como a Anvisa e a EPA dos Estados Unidos não reconhecem o mesmo nível de risco. O Mapa promoveu revisões técnicas sobre ingredientes como Glifosato, 2,4-D, Glufosinato e Atrazina e, pelo Ato nº 61/2025, suspendeu cautelarmente 34 produtos.
Pesquisas científicas apontam que a exposição prolongada a agrotóxicos pode estar associada a cânceres, alterações hormonais, efeitos neurológicos e intoxicações agudas — por contato direto, resíduos em alimentos ou contaminação da água.
O que acontece agora com os registros
Para 2026, a principal aposta do governo é a implantação do SISPA, sistema unificado prometido para integrar informações e dar mais transparência ao processo regulatório. O Brasil segue o modelo tripartite de registro, com aval técnico do Mapa, da Anvisa e do Ibama.
O recorde de 2025 consolida o Brasil como protagonista global do agronegócio, ao mesmo tempo em que aprofunda o debate sobre os limites sanitários e ambientais desse modelo de produção.
Para conhecer os alimentos mais contaminados com agrotóxicos no Brasil, consulte a matéria abaixo ⬇️
👉 Agrotóxicos em alimentos: pepino lidera ranking da Anvisa em 2024
Fontes: Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa); CropData/CropLife Brasil; Agência FPA; CNN Brasil; Anvisa/gov.br; IARC/OMS; site oficial do dep. Pedro Lupion.









