Jean Wyllys está de volta. Após quatro anos de exílio na Alemanha e na Espanha, o ex-deputado federal retornou ao Brasil em 2023 e, em fevereiro de 2026, anunciou sua pré-candidatura a deputado federal por São Paulo. O convite veio do PT e marca o retorno oficial de uma das figuras mais polarizadoras da política brasileira à disputa eleitoral.
A saída do país, em janeiro de 2019, foi marcada por tensão. Wyllys renunciou ao mandato sob ameaças de morte constantes, andava em carro blindado com escolta policial e denunciava uma campanha sistemática de fake news promovida pela extrema-direita. O assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), amiga próxima e correligionária, foi o ponto de ruptura. Para ele, as ameaças eram reais e letais.
No exílio, longe das tribunas, Wyllys se reinventou. Concluiu um doutorado, deu palestras e mergulhou nas artes visuais. Em janeiro de 2024, abriu a exposição “Desexílios” no Museu de Arte Contemporânea da Bahia, em Salvador, com pinturas e colagens sobre sua experiência fora do país. Em março de 2026, promoveu em São Paulo a aula-performance “Como a MPB pode salvar sua vida”, usando a música brasileira para debater democracia e desinformação. No início de 2025, participou de um documentário da Globo sobre a história do Big Brother Brasil, lembrando como sua vitória em 2005 ajudou a pautar o debate sobre homofobia no país.
A volta, no entanto, não veio sem ruído. Wyllys carrega um histórico de episódios explosivos. O mais célebre é o cuspe em Jair Bolsonaro durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, ato que ele justificou como resposta a insultos homofóbicos e à apologia à tortura feita pelo então deputado. Já em 2023, de volta ao Brasil, se envolveu em polêmica com o governador gaúcho Eduardo Leite, que o processou por injúria após declarações sobre escolas cívico-militares. O Ministério Público chegou a pedir a remoção das postagens.
Para seus apoiadores, Wyllys é vítima de um sistema que persegue minorias e vozes dissidentes. Para seus críticos, é uma figura que confunde militância com espetáculo. O fato é que, em 2026, ele volta às urnas como candidato do PT e a polarização volta com ele.










