A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi eleita e assumiu, em 11 de março de 2026, a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, tornando-se a primeira mulher trans a presidir este colegiado na história do Parlamento. Hilton foi eleita em chapa única, recebendo 11 votos favoráveis e enfrentando 10 votos em branco, registrados como forma de protesto por parlamentares da oposição. A votação precisou de dois turnos devido à falta de consenso inicial e à resistência de parte da bancada conservadora.
A mesa diretora da comissão conta, além de Hilton na presidência, com Laura Carneiro (PSD-RJ) como 1ª vice-presidente, Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) como 2ª vice-presidente e Socorro Neri (PP-AC) como 3ª vice-presidente. Erika Hilton substitui a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG), que presidiu o colegiado durante o ano legislativo de 2025.
Em seu discurso de posse, Hilton destacou que a comissão acolherá as demandas de todas as mulheres em sua pluralidade e totalidade. Entre suas prioridades estão o enfrentamento à violência política de gênero, a promoção de políticas de saúde integral para mulheres, a fiscalização da rede de proteção e da Casa da Mulher Brasileira e o combate ao feminicídio e ao transfeminicídio.
A eleição de Hilton gerou forte resistência entre deputadas da ala conservadora e de oposição, que alegaram que a presidência deveria ser ocupada por uma mulher biológica, com experiências compartilhadas pelas demais mulheres. O segundo turno da votação registrou 10 votos em branco como protesto explícito. A deputada Clarissa Tércio (PP-PE) criticou a escolha, questionando se a presidência representa a realidade da maioria das mulheres brasileiras e afirmando que Hilton “nunca menstruou ou amamentou”.
Por outro lado, deputadas de partidos como PT, PSD e PSOL defenderam a eleição como um marco de diversidade e reforçaram que a comissão deve trabalhar pelos direitos de todas as mulheres, independentemente de identidade de gênero ou ideologia.
Opinião Editorial
Uma pessoa trans ou travesti pode compreender os conceitos, direitos e necessidades sociais e de saúde das mulheres, mas não vivencia processos biológicos naturais como menstruação, gestação ou parto. Isso não diminui sua capacidade de apoiar, defender ou lutar pelos direitos das mulheres, mas são experiências corporais que permanecem inacessíveis diretamente.
Nesse contexto, seria mais adequado que a deputada assumisse comissões voltadas a direitos humanos ou à defesa de sua própria comunidade, em vez de presidir um colegiado cuja função principal deveria ser melhorar a vida das mulheres cisgênero. O foco, neste caso, parece mais orientado à politização e ao espetáculo midiático do que à obtenção de resultados concretos e efetivos para o público que a comissão representa.










