São Paulo ainda lidera o PIB nacional mas já não puxa sozinho

São Paulo continua sendo a maior economia do Brasil. Mas o ritmo com que outros estados crescem está mudando o mapa econômico do país, e o estado que um dia puxava o Brasil agora acompanha a média nacional.


O que é o PIB por estado e por que ele importa

O PIB, Produto Interno Bruto, mede tudo o que um estado produz em bens e serviços durante um ano. Quando a participação de um estado no PIB nacional cai, significa que outros estão crescendo mais rápido, mesmo que ele continue produzindo mais em termos absolutos.

Esse dado tem peso direto em políticas públicas: quanto maior a participação econômica de um estado, maior sua influência sobre investimentos federais, transferências de recursos e atração de empresas.

Como São Paulo se compara aos outros maiores estados

Os dados mais recentes do IBGE, do Sistema de Contas Regionais de 2023, mostram o seguinte ranking de participação no PIB nacional:

São Paulo lidera com 31,5% do PIB nacional. Rio de Janeiro aparece em segundo, com 10,7%. Minas Gerais ocupa o terceiro lugar, com 8,9%. Paraná e Rio Grande do Sul seguem com 6,1% e 5,9%, respectivamente. Santa Catarina aparece logo atrás, com 4,7%.

Juntos, esses seis estados respondem por mais de 67% de toda a riqueza produzida no Brasil.

Quem está crescendo mais rápido

O problema para São Paulo não é o tamanho atual, mas a velocidade dos outros. Em 2023, as maiores altas de PIB estadual foram no Acre (14,7%), Mato Grosso do Sul (13,4%), Mato Grosso (12,9%) e Tocantins (7,9%), todos impulsionados pelo agronegócio. São Paulo cresceu apenas 1,4% no mesmo período, abaixo da média nacional de 3,2%.

A tendência não é nova. Entre 2002 e 2023, Centro-Oeste e Norte registraram os maiores ganhos de participação no PIB nacional, com avanços de 2,0 pontos percentuais e 1,1 p.p., respectivamente. A única grande região a perder participação foi o Sudeste, com queda de 4,4 p.p., puxada por São Paulo (-3,4 p.p.) e Rio de Janeiro (-1,7 p.p.).

Quando se aplica esse movimento

O processo tem três motores claros. O primeiro é o avanço do agronegócio, que favorece Centro-Oeste e Norte, não o eixo industrial tradicional. O segundo é o crescimento do consumo e dos serviços no Nordeste. O terceiro é uma desindustrialização relativa do país, e São Paulo era justamente o núcleo industrial.

O próprio IBGE reconhece que houve um processo de desconcentração que se intensificou na pandemia em 2020 e atingiu o ápice em 2022. Em 2023, houve uma pequena recomposição, puxada pela retomada dos serviços e das atividades financeiras, que beneficiaram a capital paulista.

No investimento público, o sinal de alerta veio da Bahia

Se o PIB ainda coloca São Paulo no topo, os dados de investimento público direto contam uma história diferente. Entre janeiro e agosto de 2025, a Bahia desembolsou R$ 4,12 bilhões em infraestrutura e áreas sociais, superando São Paulo, que registrou R$ 3,66 bilhões no mesmo período, segundo dados do Siconfi, da Secretaria do Tesouro Nacional.

É a primeira vez em mais de uma década que a Bahia ultrapassa São Paulo no ranking de maiores volumes de investimento do país. Com orçamento cinco vezes menor que o paulista, o governo baiano acumulou R$ 20,2 bilhões em investimentos desde 2023.

Como o governo de São Paulo está respondendo

A estratégia do governador Tarcísio de Freitas para esse cenário é clara, e vai em direção oposta ao investimento direto: atrair capital privado por meio de concessões e parcerias público-privadas.

O programa de parcerias do estado conta com 24 projetos e cerca de R$ 470 bilhões em investimentos previstos, sendo que pelo menos R$ 40 bilhões já foram executados. A meta do governo é somar mais de R$ 30 bilhões ao orçamento estadual por ano com PPPs e concessões, dobrando a capacidade do estado de fazer investimentos em infraestrutura.

Entre os projetos em andamento estão a Linha 6 do Metrô, que já ultrapassou 77% de conclusão e deve ser entregue em etapas entre 2026 e 2027, além de trens intercidades, novas rodovias e a concessão de linhas da CPTM.

A aposta é estrutural: enquanto a Bahia investe mais dinheiro público diretamente, São Paulo aposta em atrair dinheiro privado em escala maior. São modelos distintos, com riscos e benefícios diferentes. O resultado de longo prazo ainda está em aberto.

Isso afeta quem mora em São Paulo

Não de forma imediata. São Paulo ocupa a segunda posição no PIB per capita nacional, com R$ 77.566,27 por habitante em 2023, atrás apenas do Distrito Federal. O estado não está empobrecendo, está crescendo em ritmo mais próximo do restante do Brasil.

O impacto é mais político e estrutural: um estado com menor peso relativo tende a ter menos poder de barganha na disputa por investimentos federais e mais dificuldade de atrair projetos que antes vinham naturalmente para a maior economia do país.

Antes, São Paulo puxava o Brasil. Hoje, ele ainda lidera, mas já não puxa sozinho.


Fontes:

  • IBGE, Sistema de Contas Regionais 2023 (novembro de 2025)
  • IBGE, PIB dos Municípios 2022-2023 (dezembro de 2025)
  • Secretaria do Tesouro Nacional, Siconfi (2º quadrimestre de 2025)
  • Secretaria de Fazenda do Estado da Bahia (Sefaz-BA)
  • Secretaria de Parcerias e Investimentos do Estado de São Paulo
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