O endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,9% em abril de 2026, o quarto mês consecutivo de recorde histórico, segundo a CNC. São 82,8 milhões de pessoas com o nome sujo e 8,7 milhões de empresas inadimplentes. Foi o maior nível de endividamento da série histórica da Peic.
O Brasil quebrou o próprio recorde de inadimplência quatro vezes seguidas. Economistas associam esse avanço aos juros elevados, ao crédito caro e ao aumento do uso do crédito para despesas essenciais, como energia, água e alimentos.
Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a proporção de famílias endividadas saltou de 77,6% em abril de 2025 para 80,9% em abril de 2026. Nunca foi tão alta.
Além disso, 29,7% das famílias estão com contas em atraso, o maior patamar desde novembro de 2025. E 12,3% dos brasileiros afirmam que não têm como pagar o que devem.
Vale esclarecer: endividamento e inadimplência não são a mesma coisa. A pesquisa da CNC considera endividada qualquer família com algum tipo de compromisso financeiro em andamento, como cartão de crédito, financiamento imobiliário ou empréstimo regular. Inadimplência é quando essas contas ficam em atraso.
Quem está devendo?
A Serasa registrou 82,8 milhões de inadimplentes em março de 2026, totalizando R$ 557 bilhões em dívidas em aberto. É o 15º mês consecutivo de alta e a marca representa 50,5% da população adulta brasileira.
O perfil do devedor não é quem você pensa. A maior fatia está entre 41 e 60 anos (35,5%), seguida por pessoas de 26 a 40 anos (33,5%). Ou seja, gente em plena vida produtiva.
E as dívidas? O cartão de crédito lidera, citado por 73% dos endividados. Em seguida aparecem empréstimos pessoais e cheque especial. As dívidas se concentram principalmente em despesas correntes e crédito rotativo.
Por que está tão difícil pagar?
A taxa Selic elevada é apontada por economistas como um dos principais fatores de pressão sobre o crédito. Com o custo do dinheiro próximo ao pico das últimas duas décadas, novas operações de crédito e renegociações ficaram mais caras.
Por isso, a dívida cresce mais do que a renda. E quando a família para de pagar, o comércio deixa de vender. Economistas alertam que o aumento da inadimplência pode afetar consumo, faturamento das empresas e geração de empregos.
As empresas também estão no limite
O problema não é só das famílias. A Serasa Experian registrou 8,7 milhões de CNPJs negativados em janeiro de 2026, com dívida média de R$ 23.138,40 por empresa.
O cenário é ainda mais grave quando se observa as recuperações judiciais: 2.466 empresas estiveram em processo de reestruturação em 2025, o maior número já registrado na série histórica da Serasa Experian, segundo dados divulgados em abril de 2026. A maioria são micro e pequenas empresas que dependem diretamente do consumo das famílias.
Quando a família não consome, a empresa não sobrevive.
O governo lançou uma resposta
Diante do quadro, o governo federal anunciou uma nova etapa do Desenrola Brasil em maio de 2026, com descontos entre 30% e 90% nas dívidas para pessoas com renda de até 5 salários mínimos (R$ 8.105), incluindo renegociação de contratos do Fies, cartões e contas básicas como água e luz.
A primeira edição do programa, lançada em 2023, renegociou mais de R$ 50 bilhões em dívidas. Mas o efeito perdeu força com o tempo. O crédito continua caro e os juros seguem altos.
O que muda para você?
Se você tem dívidas em atraso e renda de até R$ 8.105 por mês, pode buscar renegociação com desconto no Novo Desenrola Brasil. Se você é dono de negócio, o sinal de alerta está ligado: o consumidor está cada vez mais sem espaço no orçamento.
O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, alertou: se os juros caírem menos do que o esperado até o fim do ano, o endividamento seguirá em níveis elevados por mais tempo. Projeções do mercado financeiro indicam que os juros devem permanecer elevados ao longo dos próximos anos.
Os indicadores mostram deterioração relevante do quadro de endividamento e inadimplência. E ainda não há data para mudar.
Fontes:
- Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) — Confederação Nacional do Comércio (CNC), abril de 2026
- Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas — Serasa Experian, março de 2026
- Indicador de Falências e Recuperações Judiciais — Serasa Experian, 2025/2026
- Governo Federal — Anúncio do Novo Desenrola Brasil, maio de 2026
📷 Imagem gerada por IA para fins de ilustração









