A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) voltou a provocar reações acaloradas no campo religioso e político ao utilizar o termo “cafetões da fé” durante entrevista ao programa Roda Viva, exibida em 30 de março de 2026. Na ocasião, a parlamentar aprofundou sua crítica à mercantilização da religião no Brasil e usou o escândalo do Banco Master como exemplo concreto da exploração financeira que, segundo ela, ocorre dentro de determinadas lideranças evangélicas.
Para Hilton, o termo não ataca a fé evangélica em si, mas sim líderes que utilizam a religiosidade de fiéis como instrumento de lucro e poder político. A deputada traçou um paralelo direto com o caso Master, apontando que a crise financeira da instituição expôs como figuras religiosas incentivaram seus seguidores a investir em produtos de alto risco, muitas vezes sem transparência sobre os riscos envolvidos, em troca de apoio institucional e visibilidade junto ao público evangélico.
A declaração reacendeu o debate sobre os limites entre crítica legítima à mercantilização da fé e o que lideranças religiosas classificam como perseguição. Representantes de denominações evangélicas reagiram com indignação, acusando Hilton de usar linguagem pejorativa para atacar uma das maiores comunidades religiosas do país. O episódio rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, dividindo opiniões entre apoiadores da deputada, que viram na fala uma denúncia necessária, e críticos que a interpretaram como intolerância religiosa.
O contexto político amplifica o impacto da declaração. O eleitorado evangélico é considerado um dos blocos mais estratégicos nas eleições de 2026, e Erika Hilton figura como uma das principais pré-candidatas à Presidência da República pelo campo progressista. Ao confrontar diretamente lideranças religiosas ligadas à direita, a parlamentar assume um posicionamento de ruptura deliberada, apostando que o desgaste causado pelo caso Master fragilizou a credibilidade de parte desse segmento junto à sua própria base.
A entrevista ao Roda Viva consolidou Hilton como uma voz que não recua diante de pautas incendiárias, mas também expõe os riscos de um discurso que, dependendo da recepção, pode ser lido como ataque à fé de milhões de brasileiros em vez de crítica a seus intermediários.










