A janela partidária é um período de 30 dias que permite a deputados federais, estaduais e distritais trocarem de partido sem risco de perder o mandato. Criada pela Lei nº 13.165/2015, a chamada reforma eleitoral, a medida existe porque, no sistema proporcional, os votos pertencem ao partido — não ao candidato. Por isso, sair da legenda sem justa causa pode significar a perda do mandato.
Em 2026, a janela abriu no dia 5 de março e encerra em 3 de abril, a menos de duas semanas do prazo final. O período é considerado uma das fases mais decisivas da pré-campanha, pois define o peso político de cada legenda na disputa eleitoral de outubro.
Vale ressaltar: vereadores eleitos em 2024 não podem usar a janela, pois não estão em fim de mandato. Já presidentes, governadores e senadores podem trocar de partido a qualquer momento, sem precisar apresentar justificativa.
O cenário nacional: PL avança, União Brasil perde
Pelo menos 20 deputados já formalizaram ou anunciaram mudanças de legenda desde o início do período. O PL desponta como principal destino, com seis novas adesões, seguido por PSDB e MDB. O União Brasil lidera as perdas, com seis saídas.
O contexto é de alta pressão: cerca de 80 deputados já sinalizaram intenção de disputar outros cargos, especialmente o Senado e os governos estaduais. As decisões raramente têm base ideológica — o que prevalece são cálculos eleitorais e acordos regionais.
Pernambuco em ebulição: PSD cresce, Alepe muda de cara
No estado, as movimentações são igualmente intensas. Entre os movimentos mais relevantes está a migração do deputado federal Guilherme Uchoa Júnior, que deixou o PSB para se filiar ao PSD, legenda alinhada à governadora Raquel Lyra. Com a mudança, o partido passa a ter dois representantes pernambucanos na Câmara Federal.
Outro movimento envolve Gabriel Porto, filho do presidente da Alepe, Álvaro Porto, que confirmou filiação ao PSB para disputar uma vaga na Câmara Federal — decisão influenciada pelo convite do prefeito do Recife, João Campos.
Na Assembleia Legislativa, o PSD, que não tinha representação na Alepe, passa a contar com sete deputados estaduais, incluindo nomes como Débora Almeida e Izaías Régis. A deputada Dani Portela também anunciou sua saída do PSOL para o PT.
Para o cientista político Bhreno Vieira, as mudanças revelam a polarização em Pernambuco: “Há dois polos estruturantes na disputa — em torno de Raquel Lyra e João Campos — e os parlamentares são empurrados a escolher um campo para desfrutar de recursos, apoio e palanques.”
A janela partidária encerra no dia 3 de abril. Até lá, novas trocas são esperadas — e cada movimento conta na formação das chapas para outubro.










