São Paulo é o maior colégio eleitoral do país. E em 2026, a direita vai disputar essa eleição sem três dos nomes que mais puxaram votos na última vez.
Quem sumiu das urnas?
Dos cinco deputados federais mais votados do país em 2022, três disputaram o pleito pelo PL paulista: Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Ricardo Salles. Nenhum dos três estará na disputa pela Câmara em 2026.
Os casos são diferentes, mas o resultado é o mesmo. Carla Zambelli está inelegível após condenação no STF. Eduardo Bolsonaro perdeu o mandato e permanece nos Estados Unidos. Já Ricardo Salles trocou o PL pelo Novo e deve disputar uma vaga no Senado.
Em números, o rombo é expressivo. Zambelli recebeu 946 mil votos, Eduardo 741 mil e Salles mais de 640 mil no último pleito. São mais de 2,3 milhões de votos que precisam de um novo destino.
O que é um puxador de votos, afinal?
Em eleições proporcionais como a da Câmara, um deputado muito votado arrasta eleitores para a lista do partido inteiro. Em São Paulo, onde o eleitorado é enorme, um nome forte pode eleger dois ou três colegas de chapa junto com ele. Perder três de uma vez é um problema sério.
O PL perdeu seus maiores “puxadores de votos” no estado, o que levou o comando do partido a buscar novos nomes com potencial eleitoral.
Quem entra no lugar?
O partido identificou algumas apostas para tentar preencher o espaço. O nome mais cotado é Lucas Pavanato, vereador de 28 anos que foi o mais votado do país nas eleições municipais de 2024, com mais de 161 mil votos na capital e cerca de 7,5 milhões de seguidores nas redes sociais.
Rosana Valle, deputada federal reeleita em 2022 com 216 mil votos, também entra nessa conta. Aliada de Michelle Bolsonaro e presidente estadual do PL Mulher, é apontada como a principal liderança feminina do partido no estado.
E o eleitor, o que faz?
Quem votou em Zambelli, Eduardo ou Salles precisa escolher um novo nome. A expectativa, tanto na direita quanto na esquerda, é que esses votos se pulverizem entre candidatos do mesmo espectro político, com cada lado tentando transferir parte do eleitorado para um substituto indicado.
Esses votos vão para onde?
Transferência de voto nunca é automática. O eleitor que escolheu um nome de forte identidade pode simplesmente não votar, dividir o voto ou migrar para candidatos de outros partidos.
O PL já chegou a sondar nomes do União Brasil, PP e Republicanos para reforçar a chapa em São Paulo, sinal de que o próprio partido reconhece que não tem, por ora, quem substitua os três em votação e visibilidade.
A eleição paulista de 2026 será uma das mais imprevisíveis em anos. E os próximos meses vão mostrar se algum nome novo consegue ocupar o espaço deixado pelos que não vão aparecer nas urnas.









