O que a ciência diz sobre as diferenças de sono entre os sexos
O Vigitel 2025, levantamento do Ministério da Saúde que incluiu pela primeira vez indicadores sobre sono na população adulta brasileira, analisou 833.217 entrevistas e revelou que 21,3% das mulheres dormem menos do que o recomendado, ante 18,9% dos homens — diferença registrada em 18 capitais e no Distrito Federal.
Os dados reforçam um padrão já identificado pela pesquisa internacional. Um estudo global com quase 70 mil pessoas que usaram monitores de sono vestíveis constatou que mulheres dormem cerca de 20 a 29 minutos a mais do que os homens em todas as faixas etárias. Outro estudo usando polissonografia confirmou essa diferença em 19 minutos, e mostrou que mulheres passam cerca de 23% da noite em sono profundo, contra 14% dos homens.
Por que as mulheres têm maior necessidade de sono?
Fatores hormonais
Oscilações hormonais ligadas ao ciclo menstrual, gestação, pós-parto, perimenopausa e climatério interferem diretamente na estrutura do sono feminino. Condições como cólica menstrual e síndrome dos ovários policísticos também impactam a qualidade do descanso.
Carga cognitiva e demandas sociais
Um estudo da Universidade de Loughborough, na Inglaterra, sugere que as mulheres utilizam mais intensamente certas áreas do cérebro, realizando múltiplas tarefas simultaneamente — o que exige maior recuperação durante o sono.
Pesquisas apontam ainda um fardo sistêmico: mulheres sofrem mais com distúrbios relacionados a turnos de trabalho e acumulam demandas fora do horário convencional. “Se considerarmos o horário ‘das 9 às 17’ como padrão de jornada, as mulheres trabalham fora desses horários, incluídas as demandas sociais”, afirmou Emerson Wickwire, especialista em sono da Universidade de Maryland.
Maior vulnerabilidade a distúrbios do sono
Mulheres têm cerca de 40% mais probabilidade de ser diagnosticadas com insônia, além de maior incidência de ansiedade e depressão — condições que deterioram a qualidade do sono.
Quais são os efeitos da privação de sono nas mulheres?
- Maior associação com ansiedade e depressão, segundo o Journal of Clinical Sleep Medicine
- Vulnerabilidade aumentada a doenças autoimunes como artrite reumatoide e lúpus
- Queda na função cognitiva, concentração e produtividade
- Risco metabólico elevado com a privação crônica
O que fazer para melhorar a qualidade do sono?
- Manter horários regulares para dormir e acordar
- Evitar telas e cafeína nas horas que antecedem o sono
- Praticar exercício físico durante o dia, evitando-o à noite
- Buscar apoio médico em casos de insônia persistente ou distúrbios hormonais
Fontes: Ministério da Saúde — Vigitel 2025; Journal of Clinical Sleep Medicine; Universidade de Loughborough; Universidade de Maryland; Stanford Sleep Center; Deutsche Welle; Exame.










