O presidente Lula postou no X que o Brasil não vai se contentar em exportar minério bruto. O problema é que é exatamente isso que o país faz há décadas, independentemente de quem está no poder.
O que está em jogo
O Brasil detém algumas das maiores reservas minerais do planeta: a maior reserva mundial de nióbio, além de posições de destaque em grafita, terras raras e níquel. São minerais essenciais para baterias de veículos elétricos, painéis solares e eletrônicos de alta performance.
O potencial é enorme. Só 27% do território brasileiro foi mapeado geologicamente, contra 90% em países como Estados Unidos e Canadá.
Por que isso importa
O grande desafio do Brasil não está apenas na extração, mas na incapacidade de processar e refinar esses insumos em solo nacional. O país ainda atua como mero fornecedor de matéria-prima, deixando o valor agregado e a tecnologia nas mãos de nações industrializadas.
Um exemplo concreto: na cadeia de terras raras, o Brasil avança apenas até a purificação, exportando carbonato misto de baixo valor. Para instalar uma planta de separação completa, seriam necessários cerca de US$ 500 milhões em investimento.
O Brasil detém 23% das reservas mundiais de terras raras, mas responde por apenas 1% da produção global.
O que os últimos governos fizeram, ou deixaram de fazer
O problema não é novo e atravessa gestões de todos os partidos.
No governo Bolsonaro, a política mineral concentrou-se no apoio ao garimpo. O garimpo provavelmente foi o setor com maior crescimento político e econômico durante aquela legislatura, enquanto uma estratégia para agregar valor aos minerais críticos nunca saiu do papel.
Temer e Dilma também não avançaram no tema. A discussão sobre uma política nacional para minerais críticos simplesmente não era prioridade em nenhum dos dois governos.
No governo Lula, o tema ganhou urgência, mas ainda sem resultado concreto. Um projeto de lei que propõe a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos tramita há quase um ano na Câmara sem avançar. O próprio diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM) reconheceu publicamente: o Brasil está atrasado na política para minerais críticos e precisa definir, com rapidez, qual papel pretende exercer no mercado internacional.
O que muda agora, na prática?
Por enquanto, pouco. 2026 será determinante para definir se o Brasil assumirá protagonismo nas cadeias globais de valor ou seguirá restrito à condição de exportador de matéria-prima.
Um projeto no Senado prevê que 80% das terras-raras extraídas no Brasil sejam processadas aqui, mas ainda depende de aprovação final.
O Brasil tem condições de mudar esse quadro?
Sim, mas exige mais do que declarações. Para transformar o papel de exportador de commodities em referência em inovação, o país precisa avançar em infraestrutura, tecnologia e regulação. O potencial existe. A política, ainda não.
📷 Imagem gerada por IA para fins de ilustração
Fontes: Agência Nacional de Mineração (ANM), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Senado Federal, PwC Brasil, Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM)










