Agronegócio cresce no Brasil mas Sul enfrenta fuga de agricultores

O agronegócio brasileiro fechou 2025 como o maior motor da economia, mas 2026 chegou com um alerta que vem especialmente do Sul: agricultores endividados, sem crédito e de olho nas fronteiras.

O que foi o agro em 2025

A agropecuária cresceu 11,7% em 2025, segundo o IBGE, impulsionada por safras recordes de soja e milho, com o milho subindo 23,6% e a soja, 14,6%. Mesmo representando apenas 7% do PIB, a agropecuária foi a atividade que mais contribuiu para o crescimento do país no ano, superando a indústria extrativa.

Como funciona o cenário em 2026

Depois de um ano fora da curva, a expectativa desacelerou. A estimativa da CNA é de que o PIB do agro cresça apenas 1,2% em 2026 Exame. A queda na produção de milho e arroz, além da redução no abate de bovinos, deve limitar o avanço do setor CNN Brasil, mesmo com nova colheita recorde de soja projetada.

Para o produtor no campo, o problema é mais concreto: juros altos, escassez de crédito e ausência de uma política agrícola estável dificultam tanto o investimento quanto o custeio das lavouras

O que está acontecendo no Sul do Brasil

O Rio Grande do Sul concentra o cenário mais crítico do país. Com um passivo de R$ 72,8 bilhões, segundo a Farsul, os produtores gaúchos enfrentam uma combinação de instabilidade climática, preços voláteis e juros altos.

Lideranças do setor defendem que 2026 seja um ano de decisões estruturais para enfrentar o endividamento, garantir segurança jurídica e criar políticas de Estado de longo prazo. A FecoAgro/RS classificou 2025 como “um dos anos mais difíceis” para a agricultura gaúcha, marcado por estiagem, perdas em soja e milho e queda de renda no campo.

Uma medida emergencial editada em 2025 (MP 1.314) destinou recursos para renegociação de dívidas rurais, mas os valores não foram totalmente utilizados e a medida caducou em fevereiro de 2026, com aplicação de R$ 6,4 bilhões no Rio Grande do Sul.

Quando se aplica a fuga para países vizinhos

É nesse contexto que a migração entra no radar. Enquanto o Brasil aumenta a carga tributária, o Paraguai cresce, atrai investimentos e redesenha a geopolítica migratória da região. O sistema fiscal paraguaio é considerado um dos mais leves da América do Sul, com imposto de renda pessoal de 10% e imposto corporativo de 10%, bem abaixo da tributação brasileira.

O grande motor da migração industrial é a Lei Maquila, que permite que empresas instaladas no Paraguai paguem apenas 1% sobre a receita bruta em exportações, tornando o modelo atraente para quem produz e exporta.

Historicamente, o movimento já tem raízes antigas: a migração de brasileiros para o Paraguai acompanha as frentes de exploração econômica do café, menta e soja no Oeste do Paraná. Hoje, o perfil mudou, mas o motivo é o mesmo: custo menor, menos burocracia e mais previsibilidade.

Quem é afetado

O problema atinge principalmente pequenos e médios produtores. Muitos encontram barreiras para acessar tecnologia e não existem linhas específicas para investimentos em softwares de gestão e sistemas digitais, o que aprofunda a desvantagem competitiva.

Com crédito rural restrito, aumento da inadimplência e commodities em baixa, o espaço para erros será mínimo em 2026, segundo análises do Itaú BBA.

Isso afeta o bolso?

Sim, diretamente. Produtores com dívidas crescentes reduzem investimento, produção e emprego local. No Sul, onde o agro é a base econômica de centenas de municípios, isso se traduz em menos renda circulando na região. Se a migração de agricultores ganhar escala, os efeitos sobre o emprego rural e a arrecadação municipal podem ser significativos a médio prazo.


Fontes:

  • IBGE – Contas Nacionais 2025
  • Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
  • Ministério da Fazenda – Balanço Macrofiscal 2025 e Perspectivas 2026
  • Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul)
  • Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS)
  • Medida Provisória 1.314/2025

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