Parte dos governos de esquerda da América Latina enfrenta desgaste político e eleitoral. O resultado das eleições no Chile, em dezembro de 2025, é o exemplo mais recente. Por isso, a pressão também chega ao Brasil — a um ano das eleições de 2026.
O que aconteceu nos países da região
Argentina foi o cenário mais simbólico dessa virada. A inflação fora de controle e o desgaste do kirchnerismo abriram caminho para Javier Milei. Assim, o peronismo deixou a presidência depois de anos no poder.
No Chile, José Antonio Kast venceu a eleição presidencial em dezembro de 2025 com 58% dos votos. Foi a derrota de um governo que, em quatro anos, viu duas propostas de nova Constituição progressista rejeitadas em referendo. Ou seja, o eleitor chileno disse não duas vezes ao projeto de Boric.
No Peru, o fim do governo de Pedro Castillo foi abrupto. Seu mandato ficou marcado por escândalos, instabilidade e a tentativa de autogolpe que resultou em queda imediata.
A Colômbia vive um cenário mais instável. A popularidade de Gustavo Petro chegou a 32% de aprovação em 2025, segundo o Jacobin Brasil com base em pesquisas locais. No entanto, houve recuperação parcial ao longo do ano. Mesmo assim, as eleições presidenciais de 2026 se tornaram, na prática, um referendo sobre seu governo. Pesquisas recentes da AtlasIntel, de fevereiro de 2026, indicam vantagem da direita nos cenários de segundo turno.
No Uruguai, a tendência foi na contramão. Yamandú Orsi, da Frente Ampla, venceu as eleições em novembro de 2024 e a esquerda voltou ao poder após cinco anos fora. Por isso, o Uruguai é a principal exceção ao movimento regional.
Em Equador e Paraguai, a esquerda segue sem força eleitoral relevante. O Paraguai permanece sob domínio do Partido Colorado há décadas.
Por que parte da esquerda está perdendo força
Analistas apontam quatro fatores para esse desgaste.
O primeiro é a economia. Inflação alta, baixo crescimento e perda de renda desgastaram governos em toda a região. Na Argentina, a deterioração se tornou insustentável.
O segundo é a segurança pública. O avanço do crime organizado e da violência urbana ampliou a demanda por respostas mais duras. Portanto, quem não entregou resultados rápidos pagou o preço nas urnas.
O terceiro são os escândalos e as promessas não cumpridas. Eles fragilizaram lideranças e aumentaram a rejeição.
O quarto é o desgaste natural do ciclo político. Após anos no poder, parte do eleitorado busca alternativas. Analistas chamam isso de fadiga do eleitor.
E o Brasil? Como está Lula a um ano das eleições
O Brasil enfrenta pressão parecida. Pesquisa Genial/Quaest de 13 de maio de 2026 mostra rejeição a Lula em 53%. Além disso, 55% dos entrevistados avaliam que ele não merece continuar na presidência.
Nas simulações eleitorais, Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados dentro da margem de erro. Ou seja, a polarização entre os dois segue como o cenário mais provável para 2026.
A oposição ainda não tem nome consolidado fora dessa disputa. Mesmo assim, o ambiente é desafiador para o campo progressista — sobretudo se a economia não reagir nos próximos meses.
No fim das contas, o continente não vive o fim da esquerda. Vive, porém, um ciclo de cobrança. País a país, o eleitor está exigindo resultado.
Fontes:
- Serviço Eleitoral do Chile — resultado oficial do segundo turno, 14 de dezembro de 2025
- Pesquisa Genial/Quaest — divulgada em 13 de maio de 2026
- La Silla Vacía — pesquisas eleitorais Colômbia 2026
- Tribunal Eleitoral do Uruguai — resultado oficial, novembro de 2024









