Lula atinge 52% de desaprovação mas mantém força no Nordeste

Presidente Luiz inácio Lula da Silva usando um chapéu panamá branco de camisa preta

A desaprovação ao governo Lula chegou a 52% em abril de 2026. É o maior índice desde outubro do ano passado. Enquanto isso, a aprovação caiu para 43%, segundo a pesquisa Genial/Quaest. Ou seja, já são quatro levantamentos seguidos com rejeição maior que aprovação. Mesmo assim, o Nordeste concentra os estados com melhor desempenho do governo em todo o país.


Trajetória de desgaste

Os números contam uma história mês a mês.

Em janeiro de 2026, a desaprovação estava em 49% e a aprovação em 47%. Em fevereiro, o cenário ficou praticamente estável: 49% de desaprovação contra 45% de aprovação.

Em março, porém, o desgaste avançou. A desaprovação subiu para 51% e a aprovação recuou para 44%. A diferença entre os dois índices, que era de apenas um ponto em dezembro, saltou para sete pontos.

Em abril, a rejeição chegou a 52% e a aprovação caiu para 43%. Assim, a avaliação negativa se manteve acima dos níveis registrados desde outubro de 2025.


Onde Lula ainda resiste

A pesquisa Genial/Quaest de maio ouviu eleitores de 10 estados, que somam cerca de 75% do eleitorado nacional. O resultado mostra Pernambuco no topo: 61% aprovam o governo e apenas 32% desaprovam. Logo atrás aparecem Bahia (60%) e Ceará (58%).

Além disso, o saldo de aprovação é positivo em todo o Nordeste. O destaque vai para Pernambuco (+29), Bahia (+27) e Ceará (+23). O Pará (+4) também registra saldo positivo, ainda que menor.

Por que isso importa eleitoralmente? O Nordeste reúne aproximadamente 27% do eleitorado brasileiro. É justamente nessa faixa do país que Lula mantém maior identificação com programas sociais e com o histórico do lulismo.


Onde a desaprovação é maior

No Sul, no Centro-Oeste e no Sudeste, o cenário se inverte. Em março, a rejeição chegou a 60% no Sul, 59% no Centro-Oeste e 58% no Sudeste.

Por estado, os piores resultados ficaram em Goiás (61%) e Paraná (60%). No entanto, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais também registraram desaprovação acima da aprovação.

No conjunto, as regiões onde a rejeição é maior concentram cerca de 90 milhões de eleitores, incluindo o Sudeste, com aproximadamente 42% do eleitorado nacional.


Onde a rejeição cresceu mais

Entre os evangélicos, o desgaste foi ainda mais intenso. A desaprovação saltou de 61% em março para 68% em abril. No mesmo período, a aprovação caiu de 33% para 28%, atingindo o pior nível da série recente.

Além disso, segundo a Genial/Quaest de abril (TSE: BR-09285/2026), 59% dos entrevistados disseram que Lula não merece reeleição. Por outro lado, metade dos ouvidos avalia que a economia piorou nos últimos meses.

Os fatores apontados são: inflação nos alimentos, desgaste econômico e dificuldade de melhorar a percepção nas regiões mais ricas do país.


Isso muda o resultado em 2026?

Primeiro, um ponto essencial: desaprovação de governo não é o mesmo que intenção de voto. Um presidente pode ter maioria contra sua gestão e ainda assim liderar eleitoralmente. É exatamente isso que os dados mostram agora.

Nas simulações de primeiro turno, Lula abre vantagem expressiva na Bahia (+33), Pernambuco (+34) e Ceará (+28). No Pará, a vantagem é de 7 pontos. Já Minas Gerais aparece em empate técnico, com ligeira vantagem numérica para o petista.

Por que ele ainda pode ganhar mesmo com rejeição alta? Porque eleições presidenciais no Brasil são decididas por soma de regiões, não por média nacional. Portanto, manter ampla vantagem no Nordeste e competitividade em Minas pode ser suficiente. Além disso, a oposição ainda não consolidou um nome único.

Por fim, o cenário permanece altamente polarizado regionalmente, repetindo o padrão das eleições de 2018 e 2022.


Fontes:

  • Pesquisa Genial/Quaest nacional (abril de 2026) — TSE: BR-09285/2026
  • Pesquisa Genial/Quaest por estados (abril/maio de 2026) — TSE: BR-01368/2026, BR-01347/2026, BR-06915/2026, BR-08703/2026, BR-09928/2026, BR-03473/2026, BR-00430/2026, BR-01656/2026, BR-01755/2026 e BR-06207/2026
  • Pesquisa Genial/Quaest (março de 2026) — TSE: BR-05809/2026
  • Pesquisa Genial/Quaest (fevereiro de 2026) — TSE: BR-00249/2026
  • Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Estatísticas do eleitorado, dezembro de 2025
  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — Distribuição regional do eleitorado
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