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Câncer precoce dispara e pressiona o poder público por ação imediata

Entre 2013 e 2024, os registros de câncer em adultos de 18 a 50 anos no Brasil saltaram de 45.506 para 174.938 casos por ano, segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS). O crescimento de 284% em pouco mais de uma década acendeu um sinal de alerta entre especialistas e autoridades de saúde pública. O fenômeno tem nome: câncer de início precoce, e ele não é exclusividade brasileira.

Os tipos que mais avançam entre os jovens incluem o câncer colorretal, impulsionado pelo baixo consumo de fibras e o excesso de ultraprocessados; o câncer de mama, que aparece em estágios mais agressivos em mulheres jovens; e o câncer de colo do útero, ainda crescente apesar de evitável. Pâncreas, estômago e rins também figuram na lista de maior incidência na faixa etária abaixo dos 50 anos.

Os motivos para essa explosão são múltiplos. O principal vilão apontado pelos especialistas é a chamada “dieta ocidental”, baseada em alimentos ultraprocessados que alteram a microbiota intestinal e provocam inflamação crônica, associada a 25 tipos de câncer. O sedentarismo e a obesidade completam o quadro, agindo como combustível para o crescimento de células tumorais por meio de alterações hormonais. As gerações nascidas a partir dos anos 1980 e 1990, o chamado “efeito de coorte”, foram expostas desde a infância a esses fatores de risco em níveis inéditos. Parte do aumento nos dados também reflete a melhoria no acesso ao diagnóstico, com mais exames disponíveis e maior consciência de que jovens também adoecem.

O cenário é global. Segundo o GLOBOCAN 2022, os países com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) muito alto lideram os novos casos entre jovens. Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e países da Europa Ocidental registram as maiores taxas, especialmente de câncer colorretal precoce. Na América Latina, Argentina e Romênia se destacam pela mortalidade em jovens. O Japão aparece com os menores índices de mortalidade precoce.

No Brasil, o governo federal age pela Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC), instituída pela Lei nº 14.758/2023, com meta de diagnóstico em até 30 dias. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta para o triênio 2026 a 2028 cerca de 781 mil novos casos anuais, alta de 10%. O financiamento para tratamentos especializados no SUS chegou a R$ 74 bilhões em 2025.

Em Pernambuco, parlamentares estaduais e federais movimentam a pauta. Na ALEPE, o deputado Renato Antunes destinou R$ 400 mil em emendas ao GAC-PE (Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer), além de promover reunião solene em homenagem à instituição. A deputada Alessandra Vieira é autora da Lei nº 17.233/2021, que garante atenção integral a jovens de 0 a 19 anos com câncer no estado. Na Câmara Federal, o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) garantiu cerca de R$ 10 milhões para o Hospital de Câncer do Sertão do Araripe, além de propor o PL 4988/2025, que cria um programa de deslocamento para pacientes oncológicos.

Especialistas reforçam que mudanças no estilo de vida podem prevenir cerca de 30% dos casos. Reduzir ultraprocessados, praticar atividade física regularmente e ficar atento a sinais como alterações intestinais persistentes, perda de peso inexplicada ou nódulos são atitudes que podem salvar vidas cada vez mais jovens.

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