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Jornalistas são mortos em números recordes no conflito em Gaza e no Líbano enquanto o mundo assiste

O Via Política News repudia veementemente a morte de jornalistas no exercício de sua profissão. A imprensa livre é um pilar da democracia e sua proteção é uma obrigação de qualquer Estado que se pretenda civilizado.


Em 28 de março de 2026, um bombardeio israelense no sul do Líbano atingiu um veículo e matou três jornalistas libaneses. Entre as vítimas estão Ali Shayeb, da emissora Al-Manar, e Fatima Fattouni, da Al-Mayadeen. Dois dias depois, em 30 de março, o exército de Israel suspendeu um batalhão após agressão a jornalistas da CNN na Cisjordânia. São apenas os episódios mais recentes de uma tragédia que já alcançou proporções históricas.

Os números são estarrecedores. Desde o início do conflito, em outubro de 2023, mais de 180 jornalistas foram mortos em Gaza. Somente em 2025, dos 129 profissionais de imprensa assassinados em todo o mundo, mais de 80 foram mortos por forças israelenses — o equivalente a 81% dos assassinatos seletivos de jornalistas registrados no ano, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirma que Israel foi responsável por cerca de dois terços das mortes de jornalistas no mundo em 2025, tornando este conflito o mais letal para a imprensa em toda a história.

A resposta internacional existe, mas caminha lentamente. A RSF apresentou múltiplas queixas ao Tribunal Penal Internacional (TPI), que analisa se os ataques foram deliberados — o que os classificaria como crimes contra a humanidade. A ONU exige investigações independentes e relatores especiais documentam o que chamam de um “padrão mortal” sistemático contra profissionais de imprensa. Grandes agências como Associated Press e Reuters pressionam por responsabilização após episódios como o bombardeio a um hospital em Gaza, em agosto de 2025, que matou cinco jornalistas. A França condenou os ataques recentes no Líbano, alertando Israel sobre violação grave do direito internacional, e o Brasil emitiu notas de repúdio em casos anteriores.

As investigações, porém, enfrentam obstáculos sérios: a destruição de infraestruturas, o bloqueio de acesso à imprensa estrangeira independente em Gaza e a perda de evidências físicas no terreno. A UNESCO alerta que cerca de 85% dos assassinatos de jornalistas em zonas de conflito nunca chegam a julgamento.

Israel, por sua vez, acusou um dos jornalistas mortos no Líbano de pertencer ao Hezbollah — prática recorrente que serve para justificar ataques e dificultar a responsabilização internacional.

O Via Política News defende a livre divulgação dos fatos sem a interferência brutal do Estado, seja ele de qual crença, etnia ou dissidência partidária. Matar jornalistas é matar a verdade — e isso não tem lado.

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