A destruição de infraestruturas militares iranianas e o fechamento do Estreito de Ormuz desencadearam a maior crise de abastecimento de petróleo da história — e agências internacionais já pedem medidas de emergência que lembram os tempos de pandemia.
Em 28 de fevereiro de 2026, os EUA e Israel lançaram a “Operação Epic Fury”, ataques aéreos coordenados contra alvos estratégicos no Irã que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei. A resposta de Teerã foi imediata e devastadora para a economia global: o fechamento do Estreito de Ormuz, canal por onde passa cerca de 25% de todo o petróleo consumido no mundo.
O impacto foi instantâneo. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o conflito afeta 7,5% da produção mundial de petróleo, o trânsito de petroleiros pelo Estreito caiu mais de 90% e a oferta global encolheu em cerca de 8 milhões de barris por dia — criando, nas palavras da própria agência, a maior interrupção de oferta da história do mercado de petróleo. Os preços subiram mais de 40%.
A resposta internacional e o “lockdown energético”
Numa tentativa de conter a sangria, a coalizão de 32 países da AIE aprovou por unanimidade a liberação de 400 milhões de barris das reservas de emergência — o maior volume já mobilizado na história da agência. Ainda assim, o barril Brent seguia cerca de 30% acima do preço pré-guerra.
Foi nesse contexto que, em março de 2026, a AIE publicou um plano de 10 medidas de emergência para reduzir a demanda por petróleo, rapidamente apelidado pela imprensa de “lockdown energético”. Diferente dos lockdowns da pandemia, as propostas focam na restrição do transporte — setor que responde por 45% da demanda global de petróleo — para evitar o racionamento forçado.
Entre as principais medidas estão: trabalho remoto de até três dias por semana (economia de 500 mil barris/dia), domingos sem carros nas cidades (380 mil barris/dia), redução dos limites de velocidade nas rodovias em 10 km/h, rodízio de veículos por placas e incentivo ao transporte público.
As medidas já encontram aplicação desigual pelo mundo. As Filipinas tornaram obrigatória a semana de quatro dias no setor público. O Egito impôs toque de recolher noturno para comércios. O Paquistão chegou a estudar um “smart lockdown” para poupar combustível.
E o Brasil?
O país ocupa uma posição ambígua nessa crise. A Petrobras pode se beneficiar com a queda na oferta do Oriente Médio, mas o Brasil ainda corre o risco de ser arrastado por uma recessão global ou inflação importada caso o conflito se prolongue. O governo anunciou desoneração de PIS/Cofins sobre o diesel e alíquotas de exportação sobre o petróleo cru para proteger o abastecimento interno.
Em 23 de março, Trump anunciou uma trégua de cinco dias nos ataques a infraestruturas energéticas iranianas e o envio de um plano de paz de 15 pontos. Um sinal positivo — mas insuficiente para dissipar a tensão.
Um lockdown físico global como o da COVID-19 não está no horizonte. Uma grave crise econômica mundial, com inflação alta e escassez de energia, já é realidade.










