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Dengue perde força após recorde histórico, mas outras doenças ainda lideram mortes no Brasil

Depois de um ano recorde em 2024, quando provocou uma crise sanitária sem precedentes, a dengue apresentou forte queda nos números de casos e mortes no Brasil em 2025. Dados consolidados do Ministério da Saúde indicam que o país registrou cerca de 1.793 mortes confirmadas e aproximadamente 1,66 milhão de casos prováveis ao longo do ano.

O recuo é significativo quando comparado ao cenário de 2024, considerado o pior da história da doença no país, quando foram contabilizadas 6.041 mortes e milhões de casos, em um aumento estimado em quase 400% em relação aos anos anteriores. Em termos proporcionais, a redução em 2025 foi de cerca de 72% nas mortes e de aproximadamente 75% no número de casos, sinalizando um controle maior da epidemia após o pico histórico.

A confusão sobre o impacto da doença surge porque em 2024 a dengue superou pela primeira vez a COVID-19 em número de mortes no Brasil. Naquele ano, enquanto a dengue ultrapassou 6 mil óbitos, a COVID-19 registrou cerca de 5.960 mortes, de acordo com dados oficiais. Já em 2025, a situação mudou: a dengue voltou a registrar menos mortes do que a COVID-19, que continuou causando vítimas, sobretudo entre grupos de risco e pessoas com comorbidades.

Mesmo com a queda nacional, a distribuição da doença no território brasileiro permaneceu desigual. A região Sudeste concentrou a maior parte das fatalidades. Somente essa região registrou 1.288 mortes, cerca de 73% do total nacional. Em seguida aparecem o Sul, com 219 mortes, o Centro-Oeste com 145, enquanto Norte e Nordeste somaram juntos cerca de 110 óbitos confirmados.

Entre os estados, São Paulo liderou o número de registros, com cerca de 900 mil casos prováveis ao longo de 2025, além de centenas de mortes confirmadas. Outros estados com números elevados foram Minas Gerais, Paraná e Goiás, todos com surtos relevantes ao longo do ano.

Apesar da grande atenção pública voltada à dengue, outras doenças infecciosas continuaram sendo responsáveis por mais mortes no país. A tuberculose, por exemplo, manteve-se como uma das principais causas de óbitos por agente infeccioso, com cerca de 6 mil mortes anuais, segundo boletins epidemiológicos do governo federal.

A COVID-19 também permaneceu relevante no cenário sanitário brasileiro. Mesmo com impacto reduzido graças à vacinação, a doença ainda superou a dengue em número de mortes em 2025, mantendo-se como uma das principais causas de óbitos por infecções respiratórias.

Outra preocupação emergente foi a Febre Oropouche, que registrou suas primeiras mortes confirmadas no Brasil em 2025. Os números ainda são baixos — com poucos óbitos registrados —, mas autoridades sanitárias acompanham a expansão da doença em regiões da Amazônia.

Para especialistas em saúde pública, a queda da dengue em 2025 está ligada ao reforço das campanhas de prevenção, maior vigilância epidemiológica e início da vacinação em grupos prioritários. Ainda assim, o alerta permanece: o mosquito transmissor continua amplamente disseminado no país, o que mantém o risco de novos surtos nos próximos anos.

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