Alugar um imóvel no Brasil ficou muito mais caro nos últimos três anos, e comprar está cada vez mais longe para a maioria das famílias. A combinação de juros altos, pouca oferta e demanda em alta criou um aperto que afeta direto o bolso de quem precisa de um teto.
O que o FipeZAP mostra sobre os aluguéis
O Índice FipeZAP mede a variação dos preços de aluguel no Brasil com base em anúncios imobiliários. Os números são expressivos: alta de 16% em 2023, 13% em 2024 e cerca de 9% em 2025, enquanto a inflação oficial ficou bem abaixo disso nos mesmos períodos. Em 2026, os preços seguem subindo, mas em ritmo menor.
Na prática: o aluguel passou a consumir uma fatia maior do salário a cada renovação de contrato.
Como funciona essa pressão nos preços
É uma equação simples de oferta e demanda, mas com causas específicas.
Com os juros altos, financiar um imóvel ficou caro demais para grande parte das famílias. Quem desistiu de comprar migrou para o mercado de aluguel, aumentando a concorrência pelos mesmos imóveis. Ao mesmo tempo, a construção civil desacelerou durante a pandemia e demorou para reagir. Resultado: mais gente disputando menos imóveis disponíveis, e o preço só sobe.
O retorno ao trabalho presencial também pesou, aumentando a procura por imóveis em áreas urbanas.
Quem sente mais o impacto
Há uma diferença importante entre contratos antigos e novos. Quem já alugava antes da disparada teve reajustes menores. Quem precisou se mudar a partir de 2023 pegou a alta cheia, sem negociação.
Como fica a compra de imóveis em 2026
O Programa Minha Casa Minha Vida foi ampliado e passou a atender mais famílias de baixa renda, com subsídios maiores, juros reduzidos e acesso facilitado ao crédito, com base nas regras atualizadas pela Lei nº 14.118/2021 e ajustes feitos em 2023 e 2024.
Mas e para a classe média?
O cenário é mais difícil. Juros elevados, imóveis valorizados e entradas cada vez mais altas tornaram o crédito imobiliário fora dos programas sociais inacessível para boa parte das famílias.
A Reforma Tributária muda o custo do aluguel?
Sim, mas com ressalvas importantes. A Reforma Tributária de 2026 criou dois novos tributos sobre operações no país: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que funcionam como um IVA, o imposto sobre valor agregado comum em outros países.
Esses tributos incidem sobre aluguéis, mas não de forma igual para todos. O impacto maior é sobre grandes locadores, com alto volume de imóveis e faturamento expressivo, e em alguns contratos de temporada. Para o locador pessoa física com poucos imóveis, as regras anteriores do Imposto de Renda seguem sendo a referência principal.
Uma informação que circula nas redes merece correção: não existe um imposto único de 44% sobre aluguéis. Dependendo do perfil do locador, as alíquotas totais podem superar os 27,5% do IR que vigoravam antes, mas isso depende de volume, enquadramento e tipo de contrato. Generalizar esse número distorce o debate.
Quando se aplica essa situação
Essa realidade afeta qualquer família que precise alugar ou comprar um imóvel fora dos programas habitacionais subsidiados, especialmente nas grandes cidades. Quem tem renda entre dois e dez salários mínimos está na faixa mais afetada: sem acesso pleno ao Minha Casa Minha Vida e sem condições de arcar com financiamentos convencionais.
O avanço das favelas no Brasil
O aperto na moradia tem uma face ainda mais dura nos dados do Censo 2022 do IBGE. O Brasil passou de 6.329 favelas e comunidades urbanas em 2010 para 12.348 em 2022, um crescimento de 95% em doze anos. Hoje, 16,4 milhões de pessoas, ou 8,1% da população brasileira, vivem nessas áreas.
Esse número não é coincidência. Quando alugar fica caro e comprar fica impossível, as famílias de menor renda encontram nas comunidades a única saída viável. A favelização não é um problema paralelo à crise de moradia. Ela é o resultado mais visível dela.
O que pode mudar esse cenário
Sem rodeios: o alívio depende de três fatores combinados.
- Queda consistente dos juros, que baratea o crédito imobiliário
- Aumento real da oferta de imóveis, especialmente nas áreas urbanas
- Crescimento da renda em ritmo compatível com o custo de moradia
Enquanto esses três pontos não andarem juntos, o quadro permanece: aluguel acima da inflação, compra fora do alcance e mais famílias empurradas para os limites das cidades.
📷 Imagem gerada por IA para fins de ilustração.
Fontes:
- Índice FipeZAP (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas): fipe.org.br
- Banco Central do Brasil (taxas de juros e crédito imobiliário): bcb.gov.br
- Ministério das Cidades (Programa Minha Casa Minha Vida): gov.br/cidades
- Lei nº 14.118/2021 (regulamentação do Minha Casa Minha Vida): planalto.gov.br
- IBGE, Censo Demográfico 2022 (aglomerados subnormais): ibge.gov.br
- Emenda Constitucional nº 132/2023 (Reforma Tributária, IBS e CBS): planalto.gov.br









