O Brasil voltou a ouvir falar muito em impeachment em 2026. Mas o que é, exatamente, esse processo e quem ele pode atingir?
O que é o impeachment
É um processo político-jurídico para apurar crimes de responsabilidade cometidos por autoridades públicas. Diferente de uma cassação comum, o impeachment foca no descumprimento da Constituição e na traição às obrigações do cargo, não em crimes do dia a dia.
Como funciona o processo
O rito segue etapas divididas entre dois poderes:
1. Denúncia na Câmara dos Deputados Qualquer cidadão pode apresentar uma denúncia fundamentada. O presidente da Câmara decide se aceita o pedido. Se aceito, uma comissão especial analisa o caso.
2. Votação na Câmara Para o processo avançar, são necessários dois terços dos votos dos deputados, ou seja, 342 de 513.
3. Julgamento no Senado O Senado Federal realiza o julgamento final. O afastamento definitivo exige o voto de dois terços dos senadores, o que significa 54 de 81 votos.
4. Consequências Perda imediata do mandato e, em geral, inabilitação para funções públicas por 8 anos.
Onde o Brasil está com o tema em 2026?
O cenário político atual tornou o impeachment um dos assuntos mais debatidos do ano:
- Caso Alexandre de Moraes: parlamentares da oposição intensificaram pedidos de impeachment contra o ministro do STF, usando o tema como pauta para as eleições de outubro de 2026.
- Nova Lei do Impeachment: o Senado pautou para este ano a revisão da lei que rege o processo, ainda baseada em regras da década de 1950 que parte do STF considera ultrapassadas.
- Pernambuco: no início de 2026, a governadora Raquel Lyra enfrentou questionamentos sobre pedidos de impeachment relacionados a suspeitas envolvendo empresas familiares.
Quando o impeachment se aplica?
O processo é acionado diante de crimes de responsabilidade. Isso inclui atos que atentem contra:
- A existência da União e o livre exercício dos Poderes
- A probidade na administração e a lei orçamentária (como as chamadas “pedaladas fiscais”, que levaram ao afastamento de Dilma Rousseff em 2016)
- O cumprimento das leis e das decisões judiciais
Quem pode ser alvo do impeachment?
O processo não é exclusivo do presidente da República. Podem ser alvos:
- Presidente e Vice-Presidente da República
- Ministros de Estado
- Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)
- Procurador-Geral da República
- Governadores e Prefeitos
Quem é afetado e quais são os efeitos práticos?
Para o cidadão comum, o impeachment não muda impostos, regras de trabalho nem o custo de vida de forma direta e imediata. O impacto é político e institucional: ele altera quem governa e, com isso, pode mudar os rumos das políticas públicas ao longo do tempo.
Quando o processo atinge o Executivo, o Vice-Presidente assume o cargo assim que o afastamento é confirmado. Para os demais cargos, quem assume depende das regras específicas de cada instituição.
O processo também serve como sinal às instituições: quando funciona de forma legítima, reforça que ninguém está acima da Constituição.
Fontes
- Constituição Federal de 1988, art. 85 e 86
- Lei nº 1.079/1950 (Lei do Impeachment)
- Regimento Interno da Câmara dos Deputados
- Regimento Interno do Senado Federal









