A Petrobras anunciou um reajuste de 54,63% no preço do Querosene de Aviação (QAV) a partir de 1º de abril de 2026, acumulando alta de mais de 64% quando somado ao aumento de 9,4% registrado em março. O combustível, que já representava entre 30% e 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, passa a responder por cerca de 45% das despesas do setor e o impacto deve se espalhar por toda a economia brasileira.
O efeito mais imediato será nas passagens aéreas. A ABEAR (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) alerta que os bilhetes podem encarecer até 20%, tornando o repasse ao consumidor praticamente inevitável. Para amenizar o choque imediato, a Petrobras propôs um mecanismo que permite o pagamento de apenas 18% do reajuste em abril, com o restante parcelado a partir de julho de 2026.
Além das passagens, o setor de carga aérea também será afetado. O modal é essencial para produtos de alto valor e urgência, como eletrônicos, medicamentos e frutas frescas, e o encarecimento do frete pressiona a cadeia de distribuição e contribui para a inflação geral. Vale lembrar que o transporte aéreo gerou cerca de US$ 10,3 bilhões para a economia brasileira em 2024, segundo dados setoriais, apesar de representar menos de 0,1% do volume total exportado pelo país.
No Nordeste, os impactos são ainda mais específicos. Os hubs de Recife, Fortaleza e Salvador, que concentram mais da metade da circulação aérea da região, devem sentir queda no fluxo de turistas — ameaçando hotéis, restaurantes e toda a cadeia do turismo regional. Rotas para o interior, menos rentáveis, correm risco de suspensão.
O Polo Petrolina/Juazeiro, responsável por cerca de 90% das exportações brasileiras de uva de mesa, enfrenta cenário crítico. O aumento do frete aéreo pressiona as margens dos produtores de manga e uva — frutas que dependem da rapidez do modal para chegar com qualidade à Europa e aos EUA. O problema se agrava diante da possibilidade de novas tarifas americanas de até 50% sobre a manga brasileira.
Setores industriais como o Polo Automotivo de Goiana (PE) e o Polo de Camaçari (BA) também serão afetados no transporte de peças urgentes. Até operações de saúde, como remoções aeromédicas, devem sofrer reajuste imediato nos contratos estaduais.
Para conter os danos, o governo avalia medidas como a liberação de crédito do FNAC (Fundo Nacional de Aviação Civil) e a zeragem do IOF em operações do setor.
Fontes: Petrobras — petrobras.com.br | ABEAR — abear.com.br | Ministério de Portos e Aeroportos — portoseaeroportos.gov.br










