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Tsunami dos Bancos Digitais não acabou: seu dinheiro pode estar em risco

O colapso do Banco Master desencadeou a maior crise bancária da história recente do Brasil e especialistas alertam: o pior pode ainda estar por vir. Desde novembro de 2025, o Banco Central já decretou a liquidação extrajudicial de pelo menos oito instituições financeiras ligadas ao conglomerado ou impactadas pelo cenário de insolvência, e o mercado monitora com apreensão quais serão as próximas vítimas.

O rombo do caso Master é estimado em R$ 47,3 bilhões, o maior da história bancária brasileira. Para cobrir os prejuízos de investidores, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) prevê um desembolso recorde de R$ 41 bilhões, o que pode consumir cerca de um terço de todo o patrimônio do fundo. Se o FGC ficar enfraquecido, a confiança do mercado despenca, e o risco de uma corrida bancária em outras instituições digitais menores se torna real.

A sequência de quedas já é extensa. O Banco Master e seu braço de investimentos foram liquidados em novembro de 2025, arrastando junto o Letsbank. Em janeiro de 2026, o Will Bank, fintech com milhões de clientes, teve suas operações encerradas abruptamente, deixando usuários sem acesso a cartões e contas. Em fevereiro, o Banco Pleno e sua distribuidora foram liquidados. Em março de 2026, o Banco Master Múltiplo teve liquidação definitiva decretada, e o grupo Entrepay, focado em pagamentos, foi também encerrado pelo BC.

O mecanismo do efeito dominó é claro: fintechs menores frequentemente não possuem licença bancária própria e dependem de bancos médios para processar pagamentos e custodiar recursos. Quando o banco parceiro quebra, a fintech para de funcionar no mesmo dia. Foi exatamente o que aconteceu com o Will Bank em relação ao Master.

Há outros vetores de contágio. Com o mercado assustado, investidores recuam e fintechs perdem captação. O Banco Central, por sua vez, intensificou auditorias e pode revelar novos rombos contábeis nos próximos meses. A migração de clientes para os grandes bancos tradicionais também retira das fintechs sua principal fonte de recursos operacionais.

Para se proteger, especialistas recomendam nunca manter mais de R$ 250 mil por instituição, consultar o Índice de Basileia no site Banco Data (o mínimo exigido pelo BC é 11%) e desconfiar de rendimentos acima de 150% do CDI, sinal clássico de captação desesperada. Ter uma conta reserva em outro banco é medida de segurança básica: quando o BC intervém, o aplicativo e os cartões da fintech param de funcionar imediatamente, sem aviso prévio.

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