O sinal amarelo está aceso. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis emitiu um alerta sobre o risco real de falta de diesel no Brasil — e o problema pode se manifestar de forma localizada já nas próximas semanas. O cenário não representa um colapso imediato, mas é suficientemente grave para exigir atenção.
O problema tem raiz no desalinhamento de preços. O Brasil depende de importações para suprir entre 25% e 30% da demanda nacional de diesel. Com a defasagem entre os preços internos e o mercado internacional, importar deixou de ser economicamente viável para os agentes privados. O resultado direto é uma redução no volume de combustível entrando no país — e um sistema que opera cada vez mais no limite.
As regiões mais vulneráveis são aquelas com logística mais complexa e maior dependência de importação. Norte e Centro-Oeste lideram o risco. Estados como Pará, Amazonas e Rondônia, onde a distribuição depende de rios e longas distâncias, podem sentir os primeiros impactos. No Centro-Oeste, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás enfrentam picos de consumo no agronegócio durante plantio e colheita, tornando o sistema ainda mais sensível. O Sul e o interior do Nordeste aparecem com risco intermediário, enquanto o Sudeste, com maior concentração de refinarias e infraestrutura logística robusta, é a região com menor exposição imediata.
Na prática, o risco para abril não é de colapso nacional, mas de falhas pontuais de abastecimento: postos sem diesel por períodos limitados, elevação dos custos de transporte e pressão inflacionária. O interior sofre antes das capitais.
Mas o que aconteceria se o cenário piorasse? Um apagão de combustível teria efeitos em cascata devastadores. Em 48 a 72 horas, as prateleiras dos supermercados começariam a esvaziar, com perecíveis sendo os primeiros a sumir. Ambulâncias, viaturas policiais e bombeiros perderiam autonomia operacional. A maioria dos ônibus urbanos no Brasil roda a diesel — sem combustível, as cidades entrariam em colapso logístico. A inflação dispararia, indústrias parariam e regiões isoladas da Amazônia correriam risco de apagão elétrico, já que dependem de termelétricas e geradores.
O paralelo mais próximo é a Greve dos Caminhoneiros de 2018 — mas analistas alertam que, naquela ocasião, o combustível existia e apenas não circulava. Sem o produto, a recuperação seria muito mais lenta e o impacto, muito mais profundo.









