A mobilização ambiental pela criação da reserva extrativista no litoral sul de Pernambuco continua ativa em 2026. A campanha “Sem Mangue, Sem Beat” mantém ações de pressão pública e articulação online para que o governo federal oficialize a criação da Reserva Extrativista Rio Formoso, considerada estratégica para proteger o último grande manguezal não urbano do estado.
A proposta de criação da reserva envolve uma área de aproximadamente 2.240 hectares de manguezal localizada no complexo estuarino do Rio Formoso, entre os municípios de Rio Formoso, Sirinhaém e Tamandaré, no litoral sul de Pernambuco.
O movimento ambiental ganhou força em 2025 e segue mobilizando comunidades tradicionais, pesquisadores, organizações ambientais e artistas. A campanha mantém uma plataforma online com informações sobre o projeto, coleta de apoio público e materiais de mobilização. O acesso pode ser feito pelo link: https://www.semmanguesembeat.com.br.
Manguezal sustenta comunidades tradicionais
Segundo organizações envolvidas na campanha, mais de 2.300 pescadores artesanais dependem diretamente do ecossistema para sobreviver. O manguezal funciona como um verdadeiro berçário natural para diversas espécies marinhas, incluindo caranguejo-uçá, aratu, siri e ostras — base da renda e da alimentação das comunidades locais.
Além da pesca artesanal, a região abriga territórios tradicionais e comunidades quilombolas, que mantêm uma relação histórica com o mangue. Defensores da RESEX afirmam que a criação da unidade de conservação permitiria garantir o uso sustentável do território pelas populações locais, evitando processos de degradação ambiental.
Valor ambiental e climático
Especialistas destacam que os manguezais estão entre os ecossistemas mais importantes do planeta para o equilíbrio ambiental. Eles atuam como barreiras naturais contra erosão costeira e tempestades, além de serem considerados grandes reservatórios de carbono — podendo armazenar até cinco vezes mais carbono do que florestas tropicais terrestres.
A área do Rio Formoso também abriga espécies ameaçadas ou sensíveis, como o peixe-boi marinho, cavalo-marinho e o peixe-mero.
Pressão política
A criação da reserva extrativista é discutida há mais de 15 anos e já passou por estudos técnicos e consultas públicas conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Mesmo assim, a formalização da unidade depende de decisão do governo federal por meio de decreto.
Diante da demora, a campanha “Sem Mangue, Sem Beat” intensificou a mobilização pública e digital, buscando ampliar o apoio popular e pressionar autoridades para que o processo avance.
Para os organizadores, a mensagem do movimento é direta: proteger o manguezal do Rio Formoso significa preservar não apenas um ecossistema, mas também a cultura, a economia e a identidade do litoral pernambucano.







