Circulam boatos recorrentes sobre a suposta “venda de 10% da Bahia” para a China construir uma cidade exclusiva. O Governo do Estado da Bahia já desmentiu oficialmente essas informações, classificando-as como fake news. Apesar das especulações, a presença chinesa na região é real e se dá por meio de investimentos estratégicos em setores industriais, energéticos e tecnológicos, com impactos significativos na economia local, na geração de empregos e no desenvolvimento regional, especialmente em cidades como Irecê.
Até março de 2026, a principal relação entre a China e Irecê envolve o fornecimento de equipamentos industriais de alta tecnologia para o Projeto Irecê, um grande empreendimento voltado à produção de fertilizantes. A China forneceu componentes críticos para a fábrica de fosfato, que terá capacidade de processar 1,25 milhão de toneladas por ano. A logística do projeto incluiu o desembarque de itens de grande porte — conhecidos como “Heavy Lift” —, como seções de fornos rotativos e estruturas de britagem, transportadas dos portos chineses de Nanjing e Nantong até o interior baiano via Porto do Pecém, em meados de 2025.
Além do setor industrial, Irecê abriga o Complexo Solar Irecê, que entrou em operação no final de 2025, fortalecendo a geração de energia renovável na região e diversificando a atuação chinesa no estado.
A presença chinesa se estende a outros projetos importantes no estado, muitas vezes confundidos com iniciativas em Irecê. Entre eles estão a fábrica da BYD em Camaçari, onde a gigante chinesa de veículos elétricos e híbridos assumiu a antiga planta da Ford; a Ponte Salvador-Itaparica, liderada por um consórcio chinês (CCCC e CR20) e considerada a primeira grande “obra chinesa” no Brasil; e a Tucano Ground Station em Salvador, estação de rastreio de satélites em parceria com empresas chinesas para monitoramento terrestre e espacial.
Paralelamente, o Nordeste apresenta perspectivas de crescimento econômico superiores à média nacional. Estimativas da Tendências Consultoria apontam um crescimento anual médio de 3,4% até 2034, enquanto a média nacional será de 2,5%. Para 2026, espera-se que a região registre alta de 2,2% a 2,3%, acima da projeção brasileira de 2,0%.
Destaques estaduais incluem o Ceará, com previsão de crescimento de até 3,8%, a Paraíba, com 3,5%, e a Bahia, projetada para 2,6%. Fatores que impulsionam esse avanço incluem investimentos em infraestrutura, como a ferrovia Transnordestina, vultosos aportes em energias renováveis e a retomada do Nordeste como segundo maior mercado consumidor do país, estimulando comércio e serviços.
No conjunto, os investimentos chineses na Bahia e o crescimento regional indicam uma presença estratégica e duradoura, apesar das fake news sobre suposta “compra de território”, refletindo o fortalecimento econômico e tecnológico do Nordeste nos próximos anos.








