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Boi perde espaço no prato do brasileiro enquanto frango e porco dominam o consumo

Entre 2019 e março de 2026, os dados de consumo de carnes no Brasil mostram uma mudança clara no padrão alimentar da população. O brasileiro não deixou de consumir proteína animal, mas passou a adaptar a dieta à realidade do bolso, substituindo a carne bovina por opções mais baratas como frango e carne suína.

Em 2019, o consumo per capita de carne bovina era de cerca de 30,4 kg por habitante ao ano. Esse número caiu gradualmente até atingir 24,2 kg em 2022, o menor nível em quase duas décadas. No mesmo período, o frango e a carne suína avançaram. O frango passou de 42,8 kg em 2019 para cerca de 44,6 kg em 2022, enquanto a carne suína subiu de 15,3 kg para aproximadamente 19 kg. A substituição foi direta: com o boi mais caro, o consumidor migrou para proteínas mais acessíveis.

Mesmo com essa troca no prato, o consumo total de carnes no país permaneceu relativamente estável, variando entre 88 kg e 90 kg por habitante entre 2019 e 2022. Isso demonstra que não houve falta de proteína no mercado, mas sim uma mudança na composição da oferta e no destino da produção, especialmente da carne bovina.

Dois fatores explicam essa transformação. O primeiro foi o ciclo pecuário, que reduziu a oferta de animais para abate. Em 2022, a produção brasileira de carne bovina ficou próxima de 8,1 milhões de toneladas, um dos níveis mais baixos em mais de 20 anos. Muitos produtores optaram por reter fêmeas para recomposição do rebanho, diminuindo a disponibilidade de carne no mercado interno.

O segundo fator foi o avanço das exportações. Com o dólar valorizado, vender carne bovina para o exterior tornou-se mais lucrativo do que abastecer o mercado doméstico. A demanda internacional — principalmente da China — disparou, e a receita das exportações brasileiras cresceu mais de 40% no período mais crítico do ciclo.

A partir de 2023, o cenário começou a mudar. O consumo de carne bovina voltou a crescer, alcançando cerca de 26 kg por habitante, e teve uma recuperação mais forte em 2024, quando se aproximou de 34 kg a 35 kg per capita. Nesse mesmo período, a disponibilidade total de proteínas animais no país ultrapassou 100 kg por habitante, um recorde histórico.

Em 2025, porém, o mercado voltou a se ajustar. O consumo de carne bovina recuou levemente para cerca de 31 kg a 32 kg por habitante, enquanto o frango chegou perto de 47 kg per capita e a carne suína ultrapassou 20 kg. A explicação continua sendo o preço: a carne vermelha acumulou altas relevantes, pressionada pela demanda externa e pela valorização das exportações.

O resultado é uma mudança estrutural. O frango se consolidou como a principal proteína do país, a carne suína segue em expansão e a carne bovina tornou-se cada vez mais sensível ao ciclo econômico e ao mercado internacional.

Entre 2019 e 2026, portanto, o prato do brasileiro mudou menos por escolha e mais por necessidade econômica. O país continua sendo um gigante da produção de carne, mas o acesso do consumidor à carne bovina passou a depender cada vez mais de renda, preço e do comportamento do mercado global.

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