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Varejo em desaquecimento

Queda de 0,3% das vendas no comércio em setembro revela novo ritmo no consumo

As vendas no comércio varejista recuaram 0,3% em setembro, quando comparadas às de agosto, segundo dados divulgados pelo IBGE. Esse resultado representa a quinta queda em seis meses, sinalizando um cenário de desaceleração acentuada do setor.

Em relação ao mesmo mês do ano anterior, as vendas cresceram apenas 0,8%. No acumulado dos últimos 12 meses o varejo avança 2,1%, a menor taxa desde janeiro de 2024.

De acordo com o gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, a trajetória dos últimos meses já demonstra uma mudança de patamar em relação ao ponto mais alto da série, registrado em março de 2025.

Setores mais afetados

Seis dos oito segmentos pesquisados registraram queda em setembro. Livros, jornais, revistas e papelaria caíram 1,6%. Tecidos, vestuário e calçados caíram 1,2%. Combustíveis e lubrificantes recuaram 0,9%. Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação caíram 0,9%. Móveis e eletrodomésticos caíram 0,5%. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo recuaram 0,2%.

Os poucos segmentos que apresentaram crescimento foram artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria com alta de 1,3% e outros artigos de uso pessoal e doméstico com alta de 0,5%. Esses segmentos são menos dependentes de crédito e menos sensíveis a oscilações de renda.

Fatores por trás da queda

Especialistas apontam que o recuo do varejo reflete uma combinação de crédito mais caro, maior endividamento das famílias e menor geração de emprego formal. Esse ambiente faz com que as famílias priorizem bens essenciais e evitem compras maiores ou financiadas, como móveis, eletrodomésticos e veículos.

Como isso afeta a sua região

No estado de São Paulo a economia é altamente dependente de consumo, varejo e crédito, o que torna o impacto mais visível. No Grande ABC o efeito pode se traduzir em queda de faturamento de lojas de bens duráveis, aumento de estoques, menor oferta de crédito, desaceleração no comércio local e pressão sobre empregos de atendimento e vendas.
Uma reação dos municípios com estímulo ao comércio de bairro, feiras e programas de incentivo pode ajudar a reduzir os efeitos da retração.

Em âmbito nacional o resultado evidencia um cenário de consumo mais contido, reduzindo o dinamismo econômico já moderado. Como o consumo das famílias representa parcela relevante do PIB a desaceleração indica desafios maiores para o crescimento econômico.
Para o governo e formuladores de políticas públicas o quadro sugere a necessidade de medidas como renegociação de dívidas, facilitação de crédito e estímulo ao emprego formal para reaquecer a atividade.

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