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Tite Campanella é expulso do PL após criticar senadores e apoiar Derrite

Tite Campanella, prefeito de São Caetano do Sul, após ser expulso do Partido Liberal

Prefeito de São Caetano do Sul, Tite Campanella foi expulso do Partido Liberal (PL) nesta terça-feira, 7 de abril de 2026, após criticar senadores da legenda e apoiar o deputado Guilherme Derrite ao Senado.

O que motivou a expulsão de Tite Campanella do PL?

A expulsão foi formalizada em ofício assinado por João Candelária, presidente do PL em São Paulo. O documento apontou que Campanella feriu dois artigos do código de ética da legenda: o Artigo 4º, inciso IV — que exige urbanidade e respeito a dirigentes e filiados — e o Artigo 6º, inciso III, que proíbe referências desairosas a outros candidatos ou filiados.

O estopim ocorreu durante uma sessão solene realizada em 26 de março. Na ocasião, em cerimônia que concedeu o título de cidadão sul-sancaetanense ao deputado Guilherme Derrite (PP-SP), Campanella elogiou o parlamentar e declarou apoio à sua candidatura ao Senado, afirmando que São Paulo não tem um representante “digno de sua grandeza” na Casa Alta. As declarações irritaram o PL, que tem o senador Marcos Pontes como representante pelo estado — e foi Pontes quem formalizou o pedido de expulsão do prefeito. 

Uma decisão da cúpula nacional, não apenas de Pontes

O peso do ofício de expulsão vai além da ofensa ao senador Marcos Pontes. José Tadeu Candelária, presidente estadual do PL em São Paulo, é há anos um dos homens de maior confiança de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do partido. Valdemar comanda o maior partido do país em bancadas no Congresso e centraliza todas as decisões estratégicas da legenda. Ao assinar pessoalmente o ofício contra Campanella, Candelária sinalizou que a expulsão não foi um capricho regional: foi uma diretriz da cúpula nacional para preservar a disciplina interna e a ordem hierárquica do PL às vésperas de um ano eleitoral.

Os dois gatilhos da crise

  • Crítica pública a senadores: Campanella afirmou que os senadores “não fazem nada” pelo estado de São Paulo, com menção direta ao senador Marcos Pontes.
  • Apoio antecipado a Derrite: A manifestação em favor da pré-candidatura de Guilherme Derrite foi vista como uma quebra de hierarquia, uma vez que o partido estuda lançar candidato próprio ao Senado paulista em 2026.

Tite Campanella perde o cargo de prefeito?

Não. A legislação brasileira protege os detentores de cargos majoritários da perda do mandato por infidelidade partidária. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no julgamento da ADI 5081, de relatoria do ministro Luís Roberto Barroso, que a regra de perda do mandato por infidelidade partidária não se aplica a cargos do sistema majoritário — prefeito, governador, senador e presidente da República.

Nos cargos eleitos pelo sistema majoritário, o mandato pertence à pessoa eleita, e a troca de partido não implica perda do cargo. Tite Campanella segue, portanto, à frente da Prefeitura de São Caetano do Sul.

O que o PL perde ao expulsar um prefeito desta cidade?

A resposta é: muito. São Caetano do Sul é a cidade com o maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil desde 1991, com nota 0,862 segundo o IBGE, classificada como “muito alto” pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O município ostenta há décadas o maior IDH do país, entre outros títulos, sendo uma vitrine política de alto valor simbólico no Grande ABC Paulista.

Para o PL, perder o controle de São Caetano do Sul às vésperas de outubro de 2026 representa um custo estratégico relevante: o partido optou pela disciplina interna e abriu mão da máquina pública da cidade mais desenvolvida do país.

Quem renunciou à executiva do PL em solidariedade ao prefeito?

Em reação imediata à expulsão, vereadores e lideranças do PL em São Caetano do Sul renunciaram a seus cargos na executiva municipal do partido. Os nomes de destaque no movimento são:

  • Matheus Gianello — um dos vereadores mais votados pelo PL na cidade e articulador central da bancada.
  • Caio Salgado — vereador com forte base local e histórico de alinhamento ao grupo político de Campanella.
  • Cicinho Moreira — integrante da bancada do PL que se solidarizou com a expulsão do prefeito.

Além dos detentores de mandato, participaram da renúncia coletiva lideranças locais como Moacir Rubira, Ricardo Rios e José Messias, que ocupavam cargos na executiva municipal. Vereadores de partidos parceiros, como Pio Mielo e Professor Ródnei (ambos do PSD), manifestaram apoio público ao prefeito, sem, contudo, estarem filiados ao PL.

O que acontece com esses vereadores?

Os parlamentares apenas renunciaram aos cargos de direção do partido — eles continuam filiados ao PL por enquanto. A janela partidária, prevista na Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/1995), é o período de 30 dias em que políticos eleitos pelo sistema proporcional podem trocar de partido sem risco de perder o mandato. A tendência é que os vereadores aguardem essa janela para migrar oficialmente, acompanhando Campanella rumo a uma nova legenda.

Impacto político: o PL municipal fica isolado em São Caetano do Sul

Esvaziamento da estrutura local do partido

Com as renúncias, o diretório municipal do PL perde representatividade real. Os vereadores com mandato e votos demonstraram que seu compromisso está com o projeto político de Campanella, e não com as diretrizes da cúpula estadual ou nacional da legenda.

Governabilidade não é afetada

Apesar da expulsão, o grupo político que comanda a cidade permanece coeso. Como a maioria da Câmara Municipal é composta por aliados históricos de Campanella — muitos eleitos na coligação de 2024 —, a governabilidade do prefeito não deve ser impactada. Na prática: o PL perde o prefeito, mas não conquista oposição automática na Câmara.

Qual o destino mais provável de Tite Campanella?

O caminho natural de Campanella aponta diretamente para o entorno do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Com a candidatura à reeleição de Tarcísio praticamente consensual entre aliados em São Paulo, as articulações da direita avançam sobre a composição da chapa majoritária, com Guilherme Derrite (PP) como aposta ao Senado no campo do governador. Está acertado entre os partidos do entorno de Tarcísio que um dos candidatos ao Senado será o deputado federal Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo.

Foi justamente o apoio antecipado a Derrite que custou a Campanella o PL. Ao ser expulso por defender um candidato do campo de Tarcísio, o prefeito de São Caetano cria afinidade política imediata com o Republicanos ou com partidos aliados do governo estadual — como o PSD. Essa migração consolidaria um palanque direto do governo do estado na cidade com o maior IDH do Brasil, reposicionando Campanella como ativo político de alto valor no tabuleiro eleitoral de 2026.

Fontes

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