A crise política na Venezuela atingiu um novo patamar de complexidade e tensão institucional após a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar liderada pelos Estados Unidos no início de janeiro de 2026. Em resposta ao vácuo de poder criado pela detenção forçada de Maduro, o **Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) da Venezuela ordenou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse imediatamente a presidência interina do país para “garantir a continuidade administrativa do Estado e a defesa da nação”. A decisão foi lida em rede nacional pelo magistrado da Câmara Constitucional, Tania D’Amelio.
A nomeação de Rodríguez coloca uma figura de longa data ligada ao chavismo no centro do poder em um momento de extrema instabilidade. Vice-presidente desde 2018 e figura influente no círculo de Maduro, ela assume o Executivo em meio a um cenário de acusação internacional, acusações de violação da soberania venezuelana e debates sobre a legitimidade do processo.
A justificativa do TSJ baseou-se na necessidade de evitar o colapso do aparelho de Estado diante de um “cenário excepcional e atípico”, nos termos da Constituição venezuelana, mesmo sem uma referência explícita a esse tipo de situação. A corte não apenas ordenou sua posse imediata, como também indicou que continuará deliberando sobre o marco jurídico aplicável para assegurar a continuidade do governo e da defesa da soberania nacional.
A decisão ocorre em meio a uma forte reação internacional. Ação militar dos EUA que resultou na captura de Maduro foi amplamente criticada como violação do direito internacional e da soberania venezuelana por países como Rússia e China, que exigiram a libertação imediata do presidente e de sua esposa.
Internamente, a nomeação de Rodríguez é vista como uma tentativa de manter a estrutura de poder chavista, apesar da ausência física de Maduro. Sua trajetória política, marcada por posições de confiança dentro da administração e forte ligação com setores militares e estatais, sugere continuidade da linha governamental. No entanto, o fato de sua legitimação ter ocorrido em meio a uma intervenção militar estrangeira alimenta questionamentos sobre a validade democrática de qualquer transição nesse contexto.
O país, profundamente polarizado, enfrenta agora uma encruzilhada entre a manutenção do regime chavista por meio de uma sucessão institucional classificada por muitos como “forçada”, e o crescente clamor internacional por processos legítimos de transição. A nomeação de Delcy Rodríguez, portanto, não resolve a crise política venezuelana — apenas a desloca para o terreno jurídico e diplomático, ao passo que o povo e os atores regionais observam um poder sendo reinventado sob fogo cruzado de legítimos interesses nacionais e pressões externas.
Fontes internacionais:
• Venezuela’s Supreme Court orders VP Delcy Rodríguez to serve as acting president — Reuters Reuters
• Venezuela’s Supreme Court orders vice president to assume acting presidency — Xinhua / People’s Daily Online Xinhua News
• Supreme court order and constitutional context — The Week (via Reuters sourcing) The Week
• Delcy Rodríguez profile and political role — Wikipedia / Times of India summary Wikipedia










