A segurança pública voltou ao centro do debate nacional e já se consolida como principal pauta das eleições de 2026. Pesquisa da Ipsos, divulgada em fevereiro, mostra que 41% dos brasileiros apontam crime e violência como maior preocupação, à frente de saúde (36%) e corrupção (33%). Apesar de uma leve queda em relação aos meses anteriores — eram 52% em novembro de 2025 —, o tema segue liderando com folga.
Outros levantamentos reforçam a gravidade do cenário. Pesquisa Latam Pulse (AtlasIntel/Bloomberg) indica que 63% dos brasileiros consideram criminalidade e tráfico de drogas os maiores problemas do país. Em apenas dois anos, a violência cresceu 20 pontos percentuais na percepção popular, ultrapassando a economia, que antes liderava.
Mesmo com redução de homicídios em regiões como Sul e Sudeste, a sensação de insegurança persiste. O motivo é claro: explosão de crimes contra o patrimônio, como furtos, assaltos a pedestres, roubos de veículos e invasões a residências — especialmente em áreas urbanas de grande visibilidade. A repercussão desses casos amplia o medo coletivo, independentemente dos dados oficiais.
Um episódio agravou ainda mais esse cenário: a megaoperação no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou em 122 mortes. As imagens que circularam nas redes sociais tiveram forte impacto e recolocaram a segurança no centro da disputa política.
Nesse ambiente, o senador Flávio Bolsonaro ganha protagonismo. Indicado para presidir a Comissão de Segurança Pública do Senado, ele tem defendido uma linha mais dura no combate ao crime. Entre suas prioridades estão a aprovação do PL 4082/2024, que endurece penas para crimes violentos, e a revogação da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que impõe restrições a operações policiais no Rio.
Além disso, o senador articulou, junto ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e ao governador do Rio, Cláudio Castro, um pacote de medidas voltado ao enfrentamento do crime organizado, com foco nas demandas do estado fluminense.
Apesar do discurso firme, os dados mostram nuances. Informações do Portal da Transparência indicam que, entre janeiro e novembro de 2025, houve 186 repasses parlamentares para segurança pública. O PL liderou com 41 emendas, quase o triplo do PT. No entanto, os números são partidários e não refletem diretamente a atuação individual de Flávio Bolsonaro.
Para analistas, o cenário é direto: a segurança deixou de ser apenas política pública e virou instrumento central de poder e estratégia eleitoral. O risco está nas soluções simplistas para problemas complexos — mas, na prática, é esse discurso que deve dominar o debate até 2026.










