O Partido Liberal (PL) formalizou, no dia 10 de março de 2026, um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para apurar possíveis irregularidades envolvendo o Governador Ibaneis Rocha (MDB), o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. A iniciativa marca um rompimento político da legenda com o chefe do Executivo do DF e intensifica a crise política na capital federal, envolvendo tensões entre poderes, instituições financeiras e a oposição.
O que motivou o pedido
A pressão pela CPI aumentou após revelações sobre um contrato de cerca de R$ 38 milhões, firmado em maio de 2024, entre o escritório de advocacia associado a Ibaneis Rocha e um fundo ligado à gestora Reag Investimentos, empresa que está no centro de investigações da Polícia Federal relacionadas ao Banco Master.
O contrato envolveu a cessão de direitos de honorários de precatórios, dos quais o escritório teria recebido aproximadamente R$ 4 milhões. A operação coincidiu com o período em que o BRB negociava carteiras de ativos com o Banco Master, levantando suspeitas de gestão temerária, influência política indevida e possíveis conluios. Operações anteriores com o Master já haviam gerado prejuízos bilionários ao banco público.
Caminho da CPI na CLDF
O pedido ainda precisa de assinaturas suficientes para que a CPI seja instalada oficialmente. Em 11 de março, relatórios indicavam que o grupo de oposição já contava com sete assinaturas (de 24 deputados distritais), necessitando de apoio adicional para formalizar a comissão.
Repercussão política
O movimento do PL ocorre após o rompimento formal com Ibaneis Rocha, em meio a disputas internas, articulações eleitorais e desacordos sobre alianças. A oposição também protocolou pedidos de impeachment e afastamento do governador, baseados nas mesmas denúncias de possíveis irregularidades administrativas e uso indevido de recursos públicos.
Investigação judicial paralela
Paralelamente ao esforço legislativo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) iniciou investigação sobre Ibaneis Rocha por suspeitas de envolvimento em “negócios nebulosos” relacionados ao Banco Master e à Reag Investimentos. O procedimento foi distribuído à Ministra Isabel Gallotti, podendo envolver a Procuradoria-Geral da República em etapas posteriores.
Defesa de Ibaneis Rocha
O governador nega envolvimento direto em irregularidades, ressalta que está afastado do escritório de advocacia desde 2018 e que não possui informações sobre operações ocorridas anos depois de sua saída. Ele também classificou os pedidos de impeachment como “política” e sem base jurídica sólida.
Linha do tempo resumida
2018: Ibaneis Rocha deixa o escritório de advocacia.
2023–2024: BRB negocia ativos com Banco Master; escritório de Ibaneis recebe cerca de R$ 38 milhões.
10/03/2026: PL protocola pedido de CPI na CLDF.
11/03/2026: Oposição já possui sete assinaturas, ainda faltando apoio adicional.
Março/2026: STJ inicia investigação sobre Ibaneis Rocha.
Situação Atual: CPI depende de assinaturas adicionais; governador mantém defesa pública.
O desdobramento desta CPI promete ser um dos temas centrais da agenda política no Distrito Federal em 2026, com impactos sobre alianças, reputação pública e confiança nas instituições financeiras ligadas ao governo local.










