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De partido fisiológico a gigante: como o PL virou a maior força da direita brasileira

Por décadas, o Partido Liberal foi sinônimo de pragmatismo político. Aliado de Fernando Henrique Cardoso, indicou o vice de Lula, apoiou Dilma Rousseff e transitou confortavelmente entre governos de esquerda e direita. Mas em novembro de 2021, com a filiação de Jair Bolsonaro, o PL virou de cabeça para baixo e começou a escrever um capítulo inédito na sua história.

A mudança foi além do discurso. O partido adotou pautas fortemente conservadoras, transformou sua bancada e abandonou o perfil de “partido adesista” que carregou por anos. Nas eleições de 2022, o PL elegeu 99 deputados federais, tornando-se a maior bancada da Câmara dos Deputados, segundo o Portal da Câmara. Para efeito de comparação, em 2018, ainda como Partido da República (PR), a legenda havia eleito apenas 33 deputados federais e um senador. Em 2010, seu melhor desempenho histórico até então, chegara a 41 cadeiras.

O salto foi histórico. Em 2022, além dos 99 deputados federais, o partido elegeu oito senadores e um governador, consolidando-se como o principal polo da direita nacional.

O presidente nacional da legenda, Valdemar da Costa Neto, resume o fenômeno sem rodeios: “Isso acontece pelo que o presidente Jair Bolsonaro implantou no partido.” E já projeta novos recordes para 2026: “Vamos encerrar a janela partidária com mais de 100 deputados federais. Em São Paulo, devemos chegar a cerca de 28 deputados estaduais.” O líder da bancada na Câmara, Sóstenes Cavalcante, foi além e fixou a meta em 110 parlamentares ao final da janela partidária.

As projeções para as eleições de 2026 são ainda mais ambiciosas. O PL mira entre 100 e 115 deputados federais, com ampliação expressiva no Senado. A estratégia passa pela mobilização da base conservadora e pela construção de uma candidatura ao Planalto, com Flávio Bolsonaro sendo ventilado como nome viável.

O partido conta com lideranças de peso: Nikolas Ferreira, um dos deputados mais votados do país em 2022, e Michelle Bolsonaro, que comanda o PL Mulher e protagoniza a estratégia de ampliar a base eleitoral feminina conservadora, segmento apontado por Valdemar como eixo central de crescimento.

O partido, porém, não é monolítico. Convive hoje com duas almas: a ala bolsonarista, ideológica e de oposição radical, e a ala pragmática, interessada em alianças regionais e verbas parlamentares. Essa dualidade pode ser tanto um fator de tensão interna quanto um trunfo de flexibilidade política.

O objetivo é claro: o PL quer se consolidar como o principal polo de organização da oposição ao governo Lula em 2026 e provar que a maior bancada do país não é um fenômeno passageiro, mas o começo de uma hegemonia conservadora no Congresso brasileiro.

Fontes: Portal da Câmara dos Deputados; declarações públicas de Valdemar da Costa Neto e Sóstenes Cavalcante

Foto original: Waldemir Barreto/Agência Senado

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