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Pepino, laranja e couve lideram ranking de irregularidades por agrotóxicos em alimentos no Brasil

Os dados mais recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acendem um alerta sobre a presença de agrotóxicos na alimentação dos brasileiros. Divulgado em dezembro de 2025, o relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) aponta quais produtos apresentam os maiores índices de irregularidades, seja por resíduos acima do limite permitido ou pelo uso de substâncias não autorizadas para determinada cultura.

No topo da lista aparece o pepino, que lidera o ranking como o alimento com maior proporção de amostras irregulares analisadas. Em seguida vem a laranja, item amplamente consumido no país e recorrente nos relatórios da Anvisa por apresentar, com frequência, resíduos acima do permitido ou agrotóxicos proibidos para a cultura. Logo depois surge a couve, também com índices elevados de contaminação, o que preocupa especialmente por se tratar de um alimento associado a dietas saudáveis.

O levantamento mostra que o problema não é pontual nem recente. Em anos anteriores, o pimentão costumava liderar o ranking dos alimentos mais contaminados, tornando-se um símbolo da exposição da população aos agrotóxicos. Em 2025, embora não tenha aparecido entre os primeiros colocados ou não tenha sido incluído na rodada consolidada de monitoramento, o histórico do produto reforça a persistência do problema no sistema produtivo brasileiro.

Outros alimentos seguem figurando como críticos em análises recorrentes da Anvisa. O morango, por exemplo, é frequentemente citado devido à alta incidência de fungicidas, usados para controlar doenças em uma cultura considerada sensível. Goiaba e tomate também aparecem de forma repetida em relatórios anteriores como alimentos de risco, seja pelo excesso de resíduos ou pelo uso inadequado de defensivos agrícolas.

Um dado que chama atenção em 2025 é a ampliação do problema para além dos alimentos in natura. Pesquisas recentes indicam que metade dos alimentos ultraprocessados analisados, como biscoitos de maisena e macarrão instantâneo, também apresentou resíduos de agrotóxicos, principalmente glifosato. Isso amplia o debate, já que esses produtos fazem parte do consumo cotidiano de milhões de brasileiros, inclusive em populações urbanas distantes das áreas agrícolas.

A Anvisa ressalta que, de modo geral, o risco agudo, ou seja, de intoxicação imediata, é considerado baixo para a maioria dos alimentos avaliados. No entanto, o órgão alerta para o risco da exposição crônica, decorrente do consumo frequente de alimentos com resíduos ao longo do tempo. Por isso, recomenda medidas como higienização adequada, preferência por alimentos da estação e, sempre que possível, por produtos orgânicos.

O relatório reforça uma realidade incômoda: embora o risco imediato seja limitado, a presença constante de agrotóxicos na alimentação segue sendo um desafio de saúde pública no Brasil, exigindo fiscalização contínua, transparência e mudanças estruturais no modelo de produção agrícola.

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