O senador Rodrigo Pacheco encerrou sua passagem pelo PSD e oficializou sua filiação ao PSB nesta quarta-feira, 1º de abril de 2026, em cerimônia realizada em Brasília. A mudança foi articulada com o apoio direto do presidente Lula (PT) e abre caminho para uma possível candidatura ao Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026, no segundo maior colégio eleitoral do país.
A decisão de deixar o PSD foi motivada pela filiação do governador Mateus Simões à legenda, nome que assumiu o Palácio Tiradentes após a saída de Romeu Zema e que deverá disputar a reeleição com apoio do grupo bolsonarista. Com o campo mineiro do PSD ocupado por um adversário político, Pacheco migrou para o partido do vice-presidente Geraldo Alckmin e do prefeito do Recife, João Campos, que preside o PSB nacionalmente e esteve presente no ato de filiação ao lado do ministro Márcio França.
O senador aproveitou o prazo final da janela partidária, que se encerra na sexta-feira, 3 de abril, para realizar a troca sem riscos ao seu mandato atual. Na cerimônia, Pacheco afirmou que a decisão de disputar ou não o Palácio Tiradentes será tomada nos próximos meses, em diálogo com as bases locais. João Campos garantiu que ele terá autonomia para conduzir as alianças em solo mineiro.
A filiação ao PSB também encerra, ao menos por ora, uma articulação paralela conduzida pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que preside a CCJ e trabalhava para emplacar Pacheco em uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A lógica era clara: um cargo vitalício de prestígio para Pacheco liberaria o caminho para Alcolumbre retornar à presidência do Senado em 2027. O próprio Lula, porém, sinalizou preferir Pacheco como aliado político em Minas a indicá-lo para o STF.
A trajetória de Pacheco à frente do Senado deixou marcas. Para a oposição, especialmente o PL, ele é visto como “omisso” por ter arquivado dezenas de pedidos de impeachment contra ministros do STF, sobretudo contra Alexandre de Moraes, sob o argumento de falta de justa causa jurídica. Críticos também apontam conflito de interesses, já que clientes de seu escritório tinham processos no Supremo enquanto ele conduzia o Senado. Pacheco nega qualquer relação entre os fatos.
Para tentar contornar a imagem de “equilibrista”, o senador pautou a PEC que limita decisões monocráticas e estabelece mandatos para ministros do STF, uma resposta à pressão da oposição sem chegar ao extremo de um processo de impeachment. A estratégia garantiu o apoio do governo para seu projeto político, mas consolidou a desconfiança do eleitorado mais à direita, que será seu maior obstáculo na disputa por Minas.
Pacheco, que havia declarado intenção de encerrar a carreira política ao fim do mandato em 2027 para retornar à advocacia, mudou de rota. As urnas, ao que tudo indica, falam mais alto.
Fontes: Senado Federal; PSB; Câmara dos Deputados; Tribunal Superior Eleitoral.










