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Operação da Polícia Federal investiga grupo político de Petrolina e contratos que podem ultrapassar R$ 200 milhões

A Polícia Federal deflagrou a Operação Vassalos, que colocou no centro de uma investigação o prefeito de Petrolina, Simão Durando, seu antecessor Miguel Coelho e outras lideranças políticas ligadas ao grupo da cidade. A ação apura suspeitas de desvio de recursos públicos, fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo verbas federais destinadas ao município.

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão em vários estados, incluindo Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e o Distrito Federal. As diligências também atingiram endereços ligados a empresários e agentes públicos.

Durante a operação, agentes federais realizaram buscas na sede da Prefeitura de Petrolina. O objetivo foi recolher documentos, computadores, celulares e contratos administrativos que possam ajudar a esclarecer a possível existência de irregularidades em licitações e convênios firmados com recursos públicos.

Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta para um possível esquema estruturado para captar emendas parlamentares e direcionar contratos públicos. A apuração indica que parlamentares aliados destinariam recursos federais para obras de infraestrutura na cidade, especialmente projetos de pavimentação e urbanização.

Esses recursos seriam operacionalizados por meio de convênios com órgãos federais e com a administração municipal. Na sequência, de acordo com a hipótese investigada, processos licitatórios poderiam ter sido organizados de forma a favorecer determinadas empresas.

Uma das companhias citadas nos relatórios da investigação é a Liga Engenharia, que teria acumulado contratos elevados com o município ao longo dos últimos anos. Após a execução das obras, parte dos valores poderia retornar ao grupo político investigado por meio de vantagens indevidas ou financiamento político, o que caracterizaria corrupção e lavagem de dinheiro.

Os números analisados pela Polícia Federal são expressivos. De acordo com os dados levantados no inquérito, convênios para obras de pavimentação somaram cerca de R$ 198,8 milhões entre 2017 e 2024. Desse total, aproximadamente R$ 120 milhões teriam origem em emendas parlamentares destinadas por aliados políticos.

A investigação também aponta que a Liga Engenharia teria recebido mais de R$ 100 milhões em empenhos da prefeitura nesse período. Em outro levantamento citado no inquérito, os contratos da empresa com o município podem chegar a cerca de R$ 190 milhões desde 2017.

Apesar dos valores elevados, a Polícia Federal ressalta que ainda busca comprovar se houve efetivamente desvio de recursos ou direcionamento ilegal das licitações. Nem todo o montante analisado é considerado irregular neste momento.

Além de Simão Durando e Miguel Coelho, também aparecem entre os investigados o ex-senador Fernando Bezerra Coelho e o deputado federal Fernando Coelho Filho, ambos ligados politicamente ao grupo de Petrolina.

Fernando Bezerra Coelho já foi investigado anteriormente no âmbito da Operação Lava Jato, que apurava suspeitas de pagamento de propina em contratos da Petrobras. Em 2022, parte das investigações contra ele foi arquivada pelo Supremo Tribunal Federal por falta de provas suficientes.

Já Miguel Coelho teve o nome citado em apurações relacionadas à Operação Desintegração, conduzida pela Polícia Federal em Pernambuco, que investigava suspeitas de lavagem de dinheiro e irregularidades em contratos públicos. O ex-prefeito sempre negou qualquer envolvimento em irregularidades.

No caso do atual prefeito Simão Durando, esta é a primeira investigação federal de grande repercussão em que seu nome aparece diretamente ligado ao contexto político da cidade.

Até o momento, a Operação Vassalos não resultou em prisões. Todos os citados aparecem na investigação apenas como investigados, e não como acusados ou condenados. As defesas afirmam que os recursos foram aplicados legalmente e que aguardam acesso completo aos autos do processo para se manifestar.

A investigação segue em andamento e busca esclarecer se houve manipulação de licitações, desvio de recursos públicos e pagamento de propinas envolvendo contratos que podem ultrapassar R$ 200 milhões.

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