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Moro volta para o ninho: ex-desafeto de Bolsonaro entra no PL e lidera corrida pelo Paraná

Quase seis anos depois de uma ruptura barulhenta, Sergio Moro e a família Bolsonaro estão no mesmo time. O senador se filiou oficialmente ao Partido Liberal (PL) em 24 de março de 2026, deixando o União Brasil e selando uma paz pragmática com o clã que ele próprio acusou de tentar interferir na Polícia Federal em 2020. O objetivo é um só: disputar o governo do Paraná nas eleições de 2026 com o respaldo do bolsonarismo.

O evento de filiação em Brasília contou com a presença de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e do senador Flávio Bolsonaro, a quem Moro declarou apoio à pré-candidatura presidencial. O gesto foi interpretado como o “pedágio” necessário para a entrada no partido. O ex-presidente Jair Bolsonaro, inelegível, enviou um vídeo tratando Moro como “aliado na luta contra a esquerda”. Flávio declarou que “as divergências do passado foram superadas diante da necessidade de união do campo conservador”.

A reconciliação tem memória curta. Em abril de 2020, Moro pediu demissão do Ministério da Justiça acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente na PF, incluindo a exoneração do diretor-geral Maurício Valeixo sem seu consentimento e a tentativa de acessar relatórios de inteligência. As denúncias geraram um inquérito no STF. Agora, esse capítulo foi varrido para debaixo do tapete em nome do projeto eleitoral.

A chegada de Moro ao PL, porém, não foi celebrada por todos. Cerca de 48 dos 53 prefeitos do partido no Paraná se recusaram a aceitar a imposição vinda de Brasília e mantêm lealdade ao grupo do atual governador Ratinho Júnior. A debandada expõe uma tensão real: a filiação foi uma decisão de Valdemar Costa Neto com aval da família Bolsonaro, atropelando o diretório estadual.

Nas pesquisas, no entanto, Moro aparece em posição confortável. Levantamentos do Paraná Pesquisas divulgados em março de 2026 mostram o senador com cerca de 41,6% das intenções de voto, mantendo vantagem de aproximadamente 20 pontos sobre nomes do grupo de Ratinho Júnior como Rafael Greca e Guto Silva. Nas simulações de segundo turno, Moro vence todos os adversários testados.

Os desafios existem. A rejeição cresce à medida que adversários associam sua imagem à família Bolsonaro, e a debandada de prefeitos pode comprometer sua capilaridade no interior durante a campanha.

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