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Lula empata com Flávio Bolsonaro e expõe seu desgaste político

Mesmo faltando mais de um ano para a eleição presidencial de 2026, um dado já chama a atenção e incomoda o Planalto. Pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, divulgada em dezembro de 2025, mostra empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno. Lula aparece com 44,1%, enquanto Flávio soma 41,0%, diferença dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

O dado isolado já seria relevante. O contexto torna o resultado ainda mais simbólico. Lula governa com toda a máquina pública nas mãos, controla um orçamento bilionário, ocupa o noticiário diariamente com agendas oficiais e conta com ampla blindagem de parte expressiva da grande mídia, que evita aprofundar escândalos de corrupção, relativiza denúncias e trata com suavidade os indicadores econômicos negativos do país.

Ainda assim, o presidente não consegue se descolar de um adversário que sequer é consenso dentro da oposição. Flávio Bolsonaro não é visto como o principal nome da direita, não lidera movimentos nacionais, não tem a mesma projeção eleitoral do pai e enfrenta resistências inclusive entre aliados do campo conservador. Mesmo assim, aparece empatado com o chefe do Executivo federal.

A pesquisa expõe um fato político central: o desgaste do lulismo voltou a ser estrutural, não apenas conjuntural. A economia segue patinando, o custo de vida pesa no bolso da população, o crescimento é medíocre e a sensação de estagnação se espalha. Ao mesmo tempo, promessas de campanha não se materializaram, e o discurso social já não mobiliza como antes.

Outro ponto relevante é que, no primeiro turno, Lula ainda lidera os cenários testados. Mas o segundo turno revela algo mais profundo: a rejeição ao governo é alta e consistente, abrindo espaço para qualquer nome competitivo que consiga representar o sentimento de oposição. Não se trata de força pessoal de Flávio Bolsonaro, mas de fragilidade política do atual governo.

O empate técnico indica que Lula não governa em terreno sólido, apesar da narrativa oficial. Com mídia favorável, ausência de pressão institucional e controle da agenda pública, o presidente deveria aparecer com vantagem confortável. Não aparece.

Se esse é o cenário com um adversário improvisado, o recado é claro: o problema não é quem enfrenta Lula, é o próprio Lula. E, a julgar pelos números do Paraná Pesquisas, o tempo, ao contrário do discurso oficial, não joga necessariamente a favor do Planalto.

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