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Vitória de Asfura em Honduras confirma avanço da direita na América Latina

A vitória de Nasry “Tito” Asfura na eleição presidencial de Honduras, concluída após um processo conturbado de apuração, não pode ser analisada como um episódio isolado. Ela se insere em um movimento mais amplo de reposicionamento político na América Latina, onde setores conservadores e de direita voltaram a conquistar espaço após anos de predominância de governos de esquerda em boa parte da região.

Asfura, do Partido Nacional, venceu uma disputa marcada por denúncias de irregularidades e polarização política, assumindo o poder com uma agenda clara: endurecimento na segurança pública, aproximação com os Estados Unidos, defesa da economia de mercado e combate retórico ao socialismo latino-americano. Seu triunfo representa uma guinada relevante em Honduras, país que vinha sendo governado pela esquerda desde a eleição de Xiomara Castro.

O caso hondurenho reforça uma tendência visível no mapa político latino-americano em 2025. Hoje, diversos países da região são governados por líderes identificados com a direita ou centro-direita, ainda que com estilos e intensidades distintas. Entre eles estão:

  • Argentina, sob o comando de Javier Milei, símbolo de uma direita liberal radical, com discurso antiestrutural e forte crítica ao Estado;

  • Uruguai, governado por Luis Lacalle Pou, representante de uma direita institucional, liberal na economia e conservadora na gestão;

  • Paraguai, com Santiago Peña, herdeiro político do Partido Colorado e defensor de uma agenda pró-mercado;

  • Equador, liderado por Daniel Noboa, que se posiciona como centro-direita, com foco em segurança e austeridade fiscal;

  • El Salvador, sob Nayib Bukele, cujo governo combina conservadorismo político com uma política de segurança extremamente rígida;

  • Panamá, governado por José Raúl Mulino, alinhado a pautas conservadoras e de fortalecimento da ordem;

  • Peru, com Dina Boluarte, que, embora sem base eleitoral própria robusta, governa apoiada por forças de centro-direita;

  • Honduras, agora sob Asfura, consolidando a virada conservadora no país.

Esse avanço ocorre em paralelo à permanência de governos de esquerda em países-chave como Brasil, México, Colômbia, Chile e Bolívia, o que desenha uma América Latina politicamente fragmentada e em disputa aberta de projetos. Diferentemente da chamada “onda rosa” do início dos anos 2000, o cenário atual é menos ideológico no discurso social, mas mais duro em temas como segurança, criminalidade e controle do Estado.

A vitória de Asfura, portanto, simboliza mais do que uma alternância de poder nacional. Ela confirma que parte significativa do eleitorado latino-americano busca respostas pragmáticas, ainda que controversas, para problemas crônicos como violência, estagnação econômica e descrédito institucional. A direita avança não por nostalgia, mas por reação. E esse movimento, goste-se ou não, já redesenha o tabuleiro político da região.

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