O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou preocupação com a possibilidade de os Estados Unidos classificarem duas das principais facções criminosas do Brasil — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).
A medida está sendo avaliada pela administração do presidente americano Donald Trump e, segundo autoridades brasileiras, pode gerar impactos relevantes no sistema financeiro do país, além de abrir um novo capítulo nas relações diplomáticas entre Brasília e Washington.
Um dos principais temores do governo brasileiro envolve riscos sistêmicos ao setor bancário. Caso as facções sejam oficialmente classificadas como terroristas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, instituições financeiras que operam com o sistema bancário americano poderiam enfrentar sanções severas caso sejam acusadas de movimentar recursos ligados aos grupos — mesmo que de forma indireta ou involuntária.
Especialistas em regulação internacional apontam que a legislação americana impõe regras extremamente rígidas de compliance para transações relacionadas a organizações classificadas como terroristas. Isso poderia levar bancos brasileiros a sofrer restrições ou até bloqueios no sistema financeiro internacional, afetando operações em dólar e investimentos estrangeiros.
Outro ponto de preocupação é o risco de sanções indiretas contra empresas e investidores que mantenham operações no Brasil. Integrantes do governo temem que a classificação possa fazer com que o país seja visto como complacente com o terrorismo, o que poderia afastar capital internacional e gerar pressão sobre o mercado financeiro.
Além da dimensão econômica, o governo brasileiro também expressou preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional. Autoridades avaliam que o rótulo de organização terrorista poderia abrir brechas jurídicas para ações mais diretas dos Estados Unidos, incluindo operações de inteligência ou cooperação militar ampliada em território estrangeiro.
Diante desse cenário, o chanceler Mauro Vieira iniciou uma rodada de conversas diplomáticas para tentar evitar a decisão. Em março de 2026, o ministro das Relações Exteriores discutiu o tema com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, buscando apresentar a posição brasileira.
A avaliação oficial do Brasil é que PCC e Comando Vermelho são organizações criminosas voltadas ao lucro, envolvidas principalmente com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas, mas sem motivação ideológica ou política, característica normalmente associada a grupos terroristas.
Já o governo americano sustenta que as facções representam uma ameaça regional crescente, citando redes transnacionais de tráfico e possíveis conexões com organizações do Oriente Médio, incluindo o Hezbollah.
Caso a classificação seja confirmada, os Estados Unidos poderão congelar ativos, bloquear transações financeiras internacionais e ampliar mecanismos de cooperação de segurança contra os grupos.
Até meados de março de 2026, no entanto, a Casa Branca ainda não anunciou oficialmente a decisão final, embora fontes diplomáticas indiquem que o tema está entre as prioridades da agenda de segurança internacional de Washington.








