As despesas do governo federal com diárias e passagens, que representam o núcleo dos gastos de viagens oficiais, vêm crescendo de forma acelerada desde o início do governo Lula. Em 2024, esses gastos atingiram R$ 3,58 bilhões, o maior valor registrado desde 2014 segundo dados oficiais da série histórica.
O salto começa no primeiro ano do atual mandato: em 2023, as despesas somaram aproximadamente R$ 2,27 bilhões, quase 50% acima do valor de 2022. Já no primeiro semestre de 2025, o governo federal gastou R$ 1,7 bilhão apenas com diárias e passagens, ritmo que, se mantido, pode levar o ano a superar todos os anteriores.
Um ponto relevante é o peso crescente das diárias de servidores e comitivas. Embora não haja fonte pública que confirme exatamente “R$ 3 bilhões só em diárias desde 2023”, os levantamentos oficiais mostram que a expansão das comitivas e o aumento do número de deslocamentos federais são fatores centrais no aumento geral desses custos.
No caso da primeira-dama, Rosângela da Silva, há um dado consolidado: as viagens oficiais dela e de sua equipe custaram R$ 791,5 mil em 2024, incluindo despesas com deslocamento, diárias e participação em eventos no exterior.
Quanto aos custos de viagens internacionais do presidente, existem informações fragmentadas. Levantamentos oficiais mostram que os valores somam dezenas de milhões, mas não é possível afirmar com precisão o total gasto desde 2023, já que parte dos custos, como voos da FAB, logística ampliada e apoio diplomático, não aparece de forma detalhada no Portal da Transparência.
Mesmo com lacunas formais nos dados, o panorama é claro: os gastos federais com deslocamentos oficiais cresceram muito acima da média histórica e retornaram ao patamar mais alto dos últimos 10 anos.
O contraste é inevitável. Em meio a inflação persistente, perda de renda e cobranças sociais por investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura, a expansão da máquina de viagens do governo causa desconforto e levanta questionamentos de prioridade. O aumento acelerado das diárias e passagens sugere uma estrutura mais inchada, com mais deslocamentos, mais equipes e custos logísticos cada vez maiores, sem clareza sobre o retorno efetivo para o país.
Embora compromissos diplomáticos façam parte da agenda de qualquer governo, os números apontam para uma escalada que pede fiscalização mais rigorosa, transparência detalhada e critérios mais duros de necessidade. Para um país com demandas sociais graves, a impressão que fica é a de prioridades desajustadas.










