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Fraude no INSS

Ex-presidente Alessandro Stefanutto é preso pela PF por esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias

A Polícia Federal prendeu o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, em nova fase da operação que investiga um gigantesco esquema de descontos ilegais aplicados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas. A investigação, conduzida pela PF em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), estima que o rombo pode chegar a R$ 6,3 bilhões, um dos maiores desvios já registrados na Previdência Social brasileira.

Stefanutto assumiu a presidência da autarquia em julho de 2023, mas foi afastado e acabou exonerado em abril de 2025, após a operação avançar sobre irregularidades cometidas por meio de descontos associativos inseridos sem autorização nos contracheques de segurados.

Como funcionava o esquema

De acordo com a Polícia Federal, entidades associativas utilizaram Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados com o INSS para inserir descontos não autorizados diretamente nas aposentadorias. Os valores eram cobrados como supostas mensalidades de associações, clubes de benefícios e serviços que os segurados jamais solicitaram.

Entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2025, a ouvidoria do INSS registrou 4.925 reclamações formais de beneficiários denunciando descontos indevidos — um volume considerado atípico e alarmante pelos investigadores. A PF afirma que o sistema operava com falhas de controle interno, facilitando a entrada dessas cobranças fraudulentas, enquanto responsáveis pelo setor, incluindo Stefanutto, teriam sido omissos diante dos alertas técnicos.

Pressão política e exoneração

Após o avanço das investigações, Stefanutto pediu demissão do cargo no dia 23 de abril de 2025, pressionado politicamente e tecnicamente pela descoberta das irregularidades.
Sua gestão passou a ser associada ao período em que o esquema atingiu seu pico, gerando grande desgaste ao governo e à autarquia.

O alvo do esquema eram aposentados e pensionistas, um dos grupos mais vulneráveis do país, milhares dos quais tiveram valores descontados indevidamente de benefícios que, em muitos casos, representam sua única fonte de renda. Além das perdas financeiras, a falta de transparência dificultou a identificação e a reversão dos descontos, empurrando idosos para o endividamento, ações judiciais e insegurança financeira.

O suposto desvio de R$ 6,3 bilhões coloca o caso entre os maiores escândalos recentes envolvendo o INSS, provocou forte repercussão política e expôs graves falhas de governança, fiscalização e controle dentro da autarquia. Especialistas afirmam que o episódio deve gerar mudanças obrigatórias na forma como associações firmam acordos com o INSS, como os sistemas de autorização de débitos são auditados e como as reclamações dos beneficiários são tratadas.

A Polícia Federal deve aprofundar o rastreamento financeiro das entidades envolvidas, buscar a responsabilização criminal dos participantes e identificar possíveis servidores, gestores e agentes externos que colaboraram para o esquema. Paralelamente, o governo deverá apresentar medidas para acelerar o reembolso dos segurados lesados, revisar os Acordos de Cooperação Técnica vigentes e implementar mecanismos tecnológicos de auditoria contínua.

O caso envolvendo Alessandro Stefanutto expõe o tamanho da fragilidade institucional do INSS e como essa brecha permitiu um ataque direto ao bolso de aposentados brasileiros. Com valores bilionários e repercussão nacional, o escândalo promete se desdobrar em novas fases da investigação e pode redefinir os padrões de segurança e fiscalização dentro da Previdência Social.

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